1º de Maio: UGT rejeita "mexidas na Lei da Greve"

Impacto dos novos sindicatos, sem filiação nas centrais sindicais, pode levar Parlamento a restringir direitos dos trabalhadores, alerta Carlos Silva.

A UGT rejeita "mexidas na Lei da Greve" e apela a que os novos sindicatos, "mais agressivos e descontrolados", não levem o Parlamento a "embalar" na restrição dos direitos dos trabalhadores, afirmou esta quarta-feira o seu líder, Carlos Silva.

No discurso de encerramento das comemorações do 1.º de Maio da UGT, em Braga, o secretário-geral desta central sindical declarou que a "UGT é independente" face aos partidos políticos - e não tem "medo de lutar contra quem quer que seja que esteja" no Governo.

A propósito dos novos sindicatos, como o que representa os motoristas de matérias perigosas, Carlos Silva fez um alerta: "É preciso que o surgimento destes processos reivindicativos mais agressivos e descontrolados consciencializem os empregadores de que há que valorizar os sindicatos tradicionais, que apostam na negociação e no diálogo."

"Por isso não podemos aceitar que os partidos se disponham a discutir a Lei da Greve, devido a este fenómeno dos novos sindicatos", enfatizou o líder da UGT. "Esperemos que estes novos acontecimentos não embalem o Parlamento para restringir os direitos dos trabalhadores", prosseguiu Carlos Silva.

"Isso basta para dizermos ao país: Não aceitamos mexidas na Lei da Greve. Ponto final", garantiu o secretário-geral da UGT,

Em causa, segundo Carlos Silva, está o surgimento de novos sindicatos "com outro grau de agressividade e de mobilização" - não filiados nas centrais sindicais - que surgem num "cenário à escala global, sobretudo na Europa, como resultado de uma crise de valores, da crescente individualização das relações de trabalho".

Lembrando que as expectativas em 2015 foram colocadas tão alto quando a esquerda passou a liderar o Parlamento, Carlos Silva disse "a montanha acabou por parir um rato" - e não houve crescimento salarial a nível europeu.

"Se nos últimos anos o clima económico foi de crescimento e de retoma da confiança, e não houve condescendência por parte do Governo, o que esperar no futuro perante uma tendência para o arrefecimento da economia? Se no tempo das vacas gordas não há aumentos salariais é nas vacas magras que os trabalhadores vão ser aumentados?", questionou.

Ao Governo e aos professores, sem referir o nome da classe, Carlos Silva deixou um recado. "A nossa central sindical está ao seu lado na defesa da contagem do tempo de serviço para efeitos de progressão nas carreiras, de valorização dos seus salários e de dignificação das suas pessoas enquanto profissionais ao serviço de todos os cidadãos", afirmou.

A CGTP também não ficou esquecida: "Quem é que assinou o acordo de concertação social? Os mesmos de sempre, a UGT, os patrões e o Governo. Os camaradas do costume, que estão sempre na concertação social, aparecem na televisão mas não assinam acordos, não estabelecem compromissos, criticam a UGT por assinar acordos."

Acordos que a UGT assina para promover "o diálogo social, defender compromissos, a paz social, a estabilidade" governativa e social. "Os trabalhadores portugueses não são mansos, querem acreditar na palavra dos sindicatos e os da UGT dão aos trabalhadores garantias de estabilidade", salientou Carlos Silva.

O sindicalista deixou ainda um apelo à participação nas eleições europeias de 26 de maio e aos partidos políticos. "A UGT exorta os partidos políticos candidatos às eleições europeias a valorizarem e a defenderem o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, onde emerge a necessidade de podermos 'desligar do trabalho', de conciliar a vida profissional com a vida pessoal e privada, onde as questões sociais, tão assentes no modelo social europeu, não sejam uma mera miragem do que este já foi", pediu.