Filha de Woody Allen lamenta que o pai não seja condenado

O cineasta, Woody Allen

Filha de Woody Allen diz que "a revolução tem sido seletiva"

"Estamos a meio de uma revolução": assim começa um artigo de opinião publicado no Los Angeles Times, por Dylan Farrow, uma das filhas adotivas do realizador norte-americano Woody Allen. A revolução a que se refere é a que tem acontecido no mundo do cinema, com o movimento #MeToo e que tem resultado no afastamento de realizadores e de atores acusados de assédio sexual, como Harvey Weinstein e Kevin Spacey.

No entanto, Farrow argumenta que "a revolução tem sido seletiva". Isto porque o seu pai continua a assinar contratos na indústria cinematográfica, passados cerca de quatro anos desde que Farrow denunciou, numa carta aberta publicada no The New York Times, os alegados abusos sexuais que sofreu aos sete anos por parte do cineasta.

"Quando eu tinha sete anos, Woody Allen levou-me para o sótão, longe das amas que tinham instruções para nunca me deixarem sozinha com ele", continua Farrow no seu mais recente artigo. Em 1993, o caso foi divulgado e o realizador sempre negou as acusações, não chegando sequer a ser julgado.

Dylan Farrow, agora com 32 anos, sempre criticou a atitude da maior parte das estrelas de Hollywood, por ignorarem os supostos abusos de Woody Allen, e veio novamente mostrar o seu descontentamento no que diz respeito à forma como o seu pai continua a ser visto na indústria. E questiona-se por que é que o pai, ao invés de ser afastado como Weinstein e Spacey, assinou "um acordo multimilionário com a Amazon, com a aprovação de Roy Price, executivo da Amazon Studios"?

A filha do cineasta destaca algumas mulheres que apoiam o movimento contra abusadores, mas no que diz respeito ao caso de Woody Allen, preferem não se pronunciar sobre o assunto. Mulheres como Kate Winslet, protagonista do mais recente filme do realizador - Wonder Wheel - que, para além de salientar o brilhantismo de Woody Allen como diretor, diz não saber "se o que dizem é verdade ou mentira".

Ou Blake Lively, que condenou igualmente os comportamentos de Weinstein, mas que considera "perigoso" falar sobre assuntos dos quais não há factos. "Só poderia saber da minha experiência", acrescenta Lively, quando abordada sobre Woody Allen.

Farrow acrescenta que "não é só o poder que permite que homens acusados de abusos sexuais mantenham as carreiras e segredos. É também a nossa escolha ver coisas simples como complicadas e conclusões óbvias como um caso de 'quem poderá dizer?'. O sistema resultou para Harvey Weinstein durante décadas. Ainda resulta para Woody Allen".

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