Um terço dos jovens já se embriagou severamente antes dos 18 anos

Aos 18 anos, 9 em cada dez jovens já bebeu álcool. Um terço embriagou-se severamente, e metade bebeu pelo menos em 10 ocasiões num ano. O estudo que hoje é divulgado tem por base um inquérito feito aos jovens no Dia da Defesa Nacional, e revela outros dados: está a aumentar a dependência do jogo online e do uso da internet, mas também de tranquilizantes e sedativos sem receita médica. Retrato de um país, enquanto jovem

Nos últimos três anos os consumos mais frequentes de bebidas alcoólicas têm-se mantido estáveis, mas a prevalência de consumo binge (ingestão de cinco ou mais bebidas num único dia ou momento) e de embriaguez severa, tem vindo a aumentar entre os jovens até aos 18 anos. Ao mesmo tempo, enquanto decresce o número de jovens que fuma tabaco (menos de 50%, em todo o país), aumenta paulatinamente o consumo de drogas como a cannabis. O mesmo acontece com os tranquilizantes/sedativos sem receita médica.

Mas o dado novo no estudo que hoje é divulgado pelo SICAD (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências), resultado de um inquérito feito aos jovens de todo o país (e regiões autónomas), no âmbito do Dia Internacional de Luta Contra o Uso e Tráfico Ilícito de Droga, diz respeito a um outro comportamento aditivo: o uso da internet para fins ilícitos. De acordo com o inquérito feito aos jovens participantes no Dia da Defesa Nacional, em 2019, e cruzando os dados desde 2015, atualmente, um em cada dois jovens joga online, sendo que 15% jogam a dinheiro, em apostas, sendo uma uma prática um mais comum entre os rapazes.

"A prevalência de jogo online parece estar, paulatinamente, a aumentar, aparentemente mais quanto ao jogo sem ser de apostas. Este incremento é mais acentuado entre os rapazes e menos acentuado nos estudantes universitários", refere o estudo do SICAD. Segundo o documento, no ano passado, um em cada 4 jovens declarou ter experienciado problemas que atribui à utilização da internet, o que tem aumentado ligeiramente, principalmente nas raparigas.

O estudo avalia os hábitos de consumo dos jovens de 18 anos que participam no Dia da Defesa Nacional, e por isso tem um universo alargado de respostas, "o que permite chegar a resultados bastante sólidos neste âmbito. Esta quinta edição vem, de uma forma geral, consolidar as conclusões dos inquéritos anteriores", sublinha o documento.

A predominância do álcool

Quase todos os jovens aos 18 anos já tomaram bebidas alcoólicas pelo menos uma vez na vida e nos últimos 12 meses. Cerca de metade bebeu pelo menos uma vez de forma binge (cinco bebidas ou mais num dia ou num único momento) e cerca de um terço embriagou-se severamente.

O estudo refere ainda que "a prevalência de consumo recente é semelhante entre rapazes e raparigas", sendo que os consumos mais intensivos por ocasião "são um pouco mais prevalentes entre os rapazes".

Aos 18 anos, 9 em cada 10 jovens já contactaram com bebidas alcoólicas pelo menos uma vez na vida e beberam nos últimos 12 meses, ainda que, predominantemente, de forma ocasional: metade dos consumidores bebeu em menos de 10 ocasiões no ano. Contudo, cerca de metade bebeu pelo menos uma vez de forma binge e cerca de um terço embriagou-se severamente. Por sua vez, dois em cada 10 declararam ter experienciado problemas relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas.

No que se refere ao consumo recente, ele é semelhante entre rapazes e raparigas, sendo que os consumos mais intensivos por ocasião são um pouco mais destacados entre os rapazes. "Estes bebem bastante mais frequentemente, nomeadamente de forma binge, e até um estado de embriaguez".

No que respeita ao tabaco, cerca de metade dos jovens fuma. Mas entre 2015 e 2019 consumo recente sofreu uma variação de 4 pontos percentuais (prevalência de 52% em 2015 e de 48% em 2019).

Relativamente aos fármacos, as respostas apontam para um outro dado: 7 em cada 100 jovens já tomaram tranquilizantes/sedativos sem receita médica, pelo menos uma vez na vida, e 5 em cada 100 nos últimos 12 meses, sendo a prevalência um pouco superior entre as raparigas.

No que concerne às drogas, nos últimos cinco anos "assiste-se a um incremento paulatino do consumo recente de cannabis, ainda que com estabilização entre 2018 e 2019", refere o estudo.

Os dados mostram que um terço dos jovens já contactou com substâncias ilícitas, um quarto consumiu nos últimos 12 meses, sobretudo de forma ocasional. Destaca-se ainda o maior incremento do consumo de cannabis, binge, embriaguez severa e problemas relacionados com o consumo de álcool ou de substâncias ilícitas entre as raparigas.

Paralelamente, também o grupo de jovens estudantes (com maior ênfase nos que frequentam o Ensino Superior) experimenta uma transversalidade consumo recente de cannabis, embriaguez severa e problemas relacionados com os consumos.

Mais consumo no Alentejo e Centro

A nível regional, entre 2015 e 2019, o Alentejo e o Centro destacam-se como as regiões onde se verificam os maiores aumentos no consumo de álcool e drogas ilícitas e também aquelas que mais contrariam a tendência de descida do consumo de tabaco, que se verifica a nível nacional. Por outro lado, nos últimos 5 anos, o maior crescimento da prática de jogos de apostas online teve lugar na Região Autónoma da Madeira.

Em 2015 e 2019, a utilização de redes sociais mantém-se em 6 horas ou mais por dia. Já no que respeita ao jogo on-line, que "parece estar, paulatinamente, a aumentar", sobretudo quanto ao jogo sem ser de apostas - "este incremento é mais acentuado entre os rapazes e menos acentuado nos estudantes universitários", conclui o estudo. Só no ano passado, um em cada 4 jovens declarou ter experienciado problemas que atribui à utilização da internet, experiência que tem aumentado ligeiramente, principalmente nas raparigas.

Ainda assim, o estudo sublinha que entre 2015 e 2019 "os consumos mais frequentes de bebidas alcoólicas têm-se mantido razoavelmente estáveis. Contudo, a prevalência de consumo binge e de embriaguez severa tem vindo a aumentar".

A nível regional, confirmam-se em 2019 as principais tendências já identificadas em anteriores edições do estudo, nomeadamente um consumo mais elevado de bebidas alcoólicas e de tabaco no Alentejo , de substâncias ilícitas no Algarve e de medicamentos na Região Autónoma dos Açores. Noque diz respeito aos jogos de apostas, são os jovens da Regiões Autónomas quem mais costuma utilizar a Internet para tal fim.

De uma forma geral, verificam-se discrepâncias regionais relevantes, sendo que o consumo numa base diária é o indicador onde se verificam as menores variações entre regiões. Embora, entre 2015 e 2019, as tendências variem conforme o comportamento aditivo em causa, o Alentejo e o Cento destacam-se como as regiões onde se verificam os maiores aumentos no consumo de álcool e drogas ilícitas e também aquelas que mais contrariam a tendência de descida do consumo de tabaco, que se verifica a nível nacional.

PJ destrói 4, 5 toneladas de droga

Entretanto, para assinalar o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Estupefacientes, a Polícia Judiciária irá proceder à destruição de cerca de 4,5 toneladas de vários tipos de drogas ilícitas, apreendidas nos últimos meses em diversos inquéritos.

Em Portugal, de acordo com a legislação em vigor, a droga apreendida é destruída logo após a realização dos competentes exames periciais, por parte do Laboratório de Polícia Científica, com exceção de uma amostra, que fica depositada em cofre, até que seja proferida decisão definitiva, no âmbito do processo, à ordem do qual se realizou a apreensão.

A destruição faz-se por incineração, na presença de um Magistrado do Ministério Público, de um funcionário de polícia designado para o efeito e de um Perito do Laboratório de Polícia Científica.

No que respeita à atividade de combate ao tráfico ilícito de estupefacientes desenvolvida no corrente ano, até ao momento foram já apreendidas cerca 11,5 toneladas de haxixe, 6 toneladas de cocaína e quantidades menores de diversos outros tipos de drogas. "Estes resultados são fruto da ação da Polícia Judiciária e das demais forças e serviços de segurança, bem como dos serviços aduaneiros, com competências em matéria de prevenção e repressão do fenómeno do tráfico ilícito de estupefacientes", refere uma nota da PJ.

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