Investigadores do Porto desenvolvem método para entender melhor paramiloidose

Apenas 60% dos afetados com a doença dos pezinhos reagem ao medicamento que existe neste momento no mercado. Nova fórmula​​​​​​ pode aumentar a taxa de sucesso.

Investigadores do Porto desenvolveram um novo método que vai permitir fazer avanços na investigação da paramiloidose, conhecida como doença dos pezinhos, e "descobrir novos medicamentos", explicou um dos responsáveis.

O novo método consiste num "modelo animal" que "vai ajudar a descobrir novos medicamentos, porque infelizmente apenas 60% dos doentes respondem bem ao Tafamidis", o único fármaco atualmente utilizado no tratamento da doença, contou à Lusa o investigador Miguel Ferreira, um dos envolvidos no projeto.

"Os doentes precisam de alternativas", destacou o responsável pelo projeto desenvolvido no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) e que conta com a colaboração do The Scripps Research Institute da Califórnia.

Segundo Miguel Ferreira, o modelo animal multicelular designado de C. Elegans é "mais semelhante ao humano em termos de sintomatologia" e também "mais eficaz do que os modelos utilizados" atualmente.

"Este modelo animal tem um ciclo de vida muito curto, visto que em quatro dias passa de embrião a adulto e gera descendência. Para além disso, o facto de ser transparente permite analisar os neurónios e outras células ao microscópio, assim como introduzir os fármacos e ver o efeito quase de imediato", revelou.

Para o investigador, o projeto pretende também compreender o fenómeno de antecipação relativamente à idade e os diferentes sintomas da doença dos pezinhos.

"Inicialmente, os sintomas da doença surgiam aos 20, 30 anos, mas tem vindo a notar-se o efeito contrário em doentes da mesma família, isto é, no avô os sintomas surgem aos 60, no pai aos 40 e nos filhos aos 20", referiu.

A paramiloidose, ou doença dos pezinhos, é hereditária de foro neurológico, que se manifesta inicialmente nos membros inferiores e que se alastra progressivamente ao resto do corpo.

No entanto, os sintomas não são "exclusivos aos pés nem aos membros inferiores", explicou Miguel Ferreira, acrescentando que "há doentes com a mesma mutação e cujos sintomas se fazem sentir noutros órgãos, como a bexiga e o intestino".

Segundo o investigador, os "grandes focos" em Portugal são a Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Barcelos, Figueira da Foz e a região da serra da Estrela.

Em Portugal são cerca de três mil os doentes com paramiloidose, sendo que o país continua a manter o maior número de doentes a nível mundial.

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