Igreja não vai pactuar com abusos sexuais

O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa diz que a Igreja Católica tem uma posição de princípio bem clara e promete não pactuar com eventuais casos de abusos sexuais.

"A nossa posição de princípio é bem clara. É uma situação que com a qual não há possibilidade de pactuar", disse José Ornelas, admitindo, no entanto, que não pode prometer o fim destes crimes dentro da Igreja Católica.

"Gostaria muito de dizer que vamos cortar e acabar. Não o garanto, porque isso ninguém pode garantir", disse o novo presidente da CEP, eleito para o cargo na terça-feira.

Para José Ornelas, a melhor prevenção passa pela criação de condições que permitam evitar este tipo de situações o mais possível e pela "criação de uma cultura que não tolera coisas destas".

"Em segundo lugar, é saber como agir com coerência. Temos orientações da Igreja muito claras nesse sentido. Temos procurado aplicá-las, no sentido de uma transparência que torne claro para todos que isto não são comportamentos toleráveis. E se acontecem temos de tirar as devidas consequências e não podem continuar", concluiu.

O bispo de Setúbal, recém-eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa defendeu ainda em entrevista à agência Lusa que o país não pode continuar confinado e sublinhou a importância da ajuda institucional e das comunidades às famílias mais afetadas pela pandemia de covid-19.

"Não podemos passar a vida inteira confinados. E há uma questão fundamental que é a solidariedade. Aquilo que se dá em termos de ajuda concreta é fundamental para a emergência. A primeira coisa de que as pessoas precisam é de comer. Mas depois há muito mais. Há uma solidariedade institucional, que é não deixar ninguém sem esses apoios", disse, em entrevista à agência Lusa, o novo presidente da CEP, eleito na terça-feira, José Ornelas.

"Não é simplesmente uma questão de alimentação. Há gente que não está, por exemplo, a pagar as suas rendas e as suas casas. E isso é fundamental para a dignidade das pessoas. Há que encontrar esquemas criativos para permitir que essas pessoas não percam agora o barco e que amanhã possam ser autónomas", acrescentou.

Para José Ornelas, a par da solidariedade institucional também deve haver solidariedade local e uma preocupação em "cuidar da sociedade civil", envolvendo-a na aplicação de medidas concretas.

"É muito mais enriquecedor que as nossas instituições possam funcionar a todos os níveis, que se possa contar com a sociedade civil, para encontrar soluções de proximidade, que, não só saem mais baratas, mas são muito mais próximas, integradoras de todo um tecido social que se quer refazer e não, simplesmente, refazer o tecido económico", defendeu o presidente da CEP.

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