Reconhecimento mais do que merecido

Os últimos acontecimentos, primeiro uma pandemia, agora uma guerra, vieram trazer, mais uma vez, uma discussão que julgava encerrada. Refiro-me, concretamente, às vozes que se levantam, aqui e ali, sobre a "demasiada dependência do turismo".

Reconhecidamente, até pelos mais céticos, o turismo tem sido a atividade que tem levado a nossa economia "às costas".

O turismo é uma fonte de riqueza importantíssima para a nossa economia, atrai capital estrangeiro (seja investimento por parte de empresários, seja através dos gastos dos turistas), gera e mantém emprego (direto e indireto), contribui para desenvolver o país, para regenerar os seus territórios e preservar o seu património. É muitas vezes visto como um fator-chave no desenvolvimento regional e equilíbrio necessário para a harmonização de cada região. Permite equilibrar as diferentes regiões em termos de desenvolvimento, impactando comunidades a nível local, promove a multiculturalidade, projeta a nossa imagem no mundo, e podia continuar por aí fora...

Não se trata de perceções ou ideias, mas sim de factos, de evidências, e por isso não entendo como se quer tornar má uma coisa que, assumidamente, é boa para todos, até porque não beneficia só os seus intervenientes mais diretos, mas "contamina" positivamente tudo à sua volta e cria dinâmicas que não estão ao alcance de qualquer outra atividade.

Nenhuma outra atividade se compara, ou até se aproxima, do valor que o turismo gera e do papel que pode ter na retoma e na recuperação da nossa economia como um todo.

"Nenhuma outra atividade se compara, ou até se aproxima, do valor que o turismo gera e do papel que pode ter na retoma e na recuperação da nossa economia como um todo."

Não quero com isto dizer que tudo está bem e que o turismo comporta apenas vantagens. O turismo atrai milhões de pessoas para o nosso país e isso, forçosamente, tem de ter um impacto significativo na vida de todos nós e dos nossos recursos, com riscos, nomeadamente, para o nosso ambiente e para o nosso património, e nestas matérias temos de investir, e temo-lo feito.

Coisa diferente é querer-se passar a ideia de que, para outros setores evoluírem, o turismo tem de ser sacrificado. Devem evoluir sim, mas a par de um desejado e importante contínuo crescimento do turismo.

Portugal, com os recursos naturais que tem, com o investimento já realizado nesta importante atividade, com todo o capital que já acumulou, e com o reconhecimento que já alcançou ao longo destes últimos anos, seria um erro estratégico diminuir a sua aposta no turismo, o que seria de difícil recuperação.

O turismo está na nossa natureza, e será uma utopia e um erro gigante pensar que, de um momento para o outro, vamos alterar essa natureza, e a nossa forma de estar, e tornamo-nos numa importante potência industrial ou tecnológica.

A nossa preocupação deve residir sim na garantia da qualidade da oferta do nosso produto turístico, para que seja mais sustentável e sustentado, mas não deve haver desinvestimento no turismo.

Somos um país de turismo e em que o seu tecido económico é constituído, maioritariamente, por micro e PME, mas que têm sido gigantes perante as adversidades que se têm atravessado no seu caminho. Mesmo numa altura em que uma pandemia paralisou as empresas turísticas, estas souberam ser criativas e resilientes, o que prova que o país poderá sempre contar com o turismo, e espero que esse mesmo país não volte as costas a esta importante atividade.

Não estou certa sobre o futuro, mas tenho uma certeza...o turismo não pode perder o reconhecimento correspondente à sua importância na economia portuguesa. Não pode perder o reconhecimento que lhe é merecido!

Secretária-geral da AHRESP

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