Os 7 pecados morais da cripto

Se o passado nos ensinou, com a Mt. Gox e a Bitconnect, como se fazem scams, o presente diz-nos que o futuro daquilo que é "cripto" ainda está por criar. Este ano que agora termina, foi o começo do que esperamos ser uma limpeza mais profunda de atores malformados, projetos sobrestimados e outros hiper-alavancados. Não estamos desanimados. Estamos entusiasmados.

Os pecados morais da cripto, que aqui são 7, mas na realidade são muitos mais, são uma análise cuidada e cuidadora daquilo que queremos para o futuro. Ou daquilo que não queremos para o futuro: pessoas, projetos e instituições impunes por fazerem perder o dinheiro e a vida de tantos, bem ou mal, decidiram investir neles. Com alguma sátira à mistura, cobriremos, sem fugir aos factos, as figuras e acontecimentos que marcaram 2022 e cada um de nós.

Insistimos, porém, em deixar clara a nossa posição enquanto participantes ativos, verdadeiros defensores e crentes no papel que a tecnologia Blockchain desempenhará no futuro das nossas vidas. E da importância da distinção daquilo que é cripto do que é Blockchain. Somos pro-tecnologia, somos pro-verdade e somos pro-educação. E cá estaremos "pro" que der e vier.

Pecado moral: avareza
A culpa é Do Kwon

Deixando-se iludir quanto ao seu papel na Terra, Do Kwon presenteou-nos com um reinado de pouca duração. A todos os seus seguidores, prometia estabilidade algorítmica no auge da sua instabilidade emocional. Agora, os (per)seguidores deste nómada fora-da-lei digital, vão-se reerguendo após o colapso do seu ecossistema solar. Neste espaço, nem TERRA nem Luna restaram. Somente um buraco negro de dúvidas e dívidas.
Do Kwon: Cofundador da Terraform Labs, empresa responsável pelo desenvolvimento do protocolo Terra LUNA, que colapsou em maio de 2022. Deste colapso, resultaram perdas de vários biliões de dólares.

Pecado moral: preguiça
Alex Mashinsky e um inverno de graus Celsius negativos

Banks are not your friends, lia-se na T-shirt que Mashinsky trouxe à Web Summit em 2021. Neither are you, Sir Alex. Se dúvidas havia em como tornar mais rigoroso um inverno cripto, a Celsius fez jus ao nome e, pela negativa, congelou a esperança de uma recuperação breve. É certo que tudo começou com Terra Luna, mas esta bola de neve já trazia consigo uma camada de insolvência que só se tornou óbvia quando os investidores tentaram resgatar os seus fundos da Celsius e não conseguiram - porque não existiam. Com a Celsius a negativos, também a 3AC faliu (podemos chamar-lhe 3DC - depois de cripto?), bem como a Voyager Digital. Se de uma coisa podemos ter a certeza, é que Alex não foi o grande. Só uma grande desilusão.
Alex Mashinsky: Fundador e CEO da Celsius Network, uma das maiores plataformas do mundo de empréstimo de criptomoedas e que entrou com pedido de falência do Capítulo 11 em 13 de julho de 2022.

Pecado moral: luxúria
De Sam Bankman-Fried a Sem Bank, Man Fried

De todos os escândalos até ao momento apresentados, o CEO da ex-exchange FTX merece um pódio feito Alamedida. O que esperar quando uma das mais relevantes figuras cripto mundial nasce com o nome Bankman? Podia ser só uma piada, mas este filho de professores da Stanford Law School viveu sem lei, acabando por tornar insolvente aquela que era uma das maiores exchanges do mundo. Ainda pouco se sabe do que realmente aconteceu, mas há uma Alameda Research à mistura; uma namorada que é CEO dessa mesma Alameda Research; uma mãe que é apoiante dos democratas; e um Sam, o próprio, que foi o segundo maior doador da campanha do Biden nas presidenciais. Depois de uma FTX Arena, anúncios com Brady e Bündchen, e uma ronda de investimento de US$ 420 milhões, a FTX é hoje um conjunto de mansões e penthouses nas Bahamas, e aquele que será um dos maiores blockbusters do Netflix dos próximos anos. Com algum otimismo, num eventual cenário em que se faça justiça, SBF deverá poder manter o seu cargo enquanto CEO - Cell Executive Officer. E se a ex-CEO da Alameda Research provar da mesma justiça, ambos poderão ser SBFF's durante largos anos, enquanto veem o Sun nascer aos quadradinhos.
Sam Bankman-Fried: também conhecido por SBF, é um empresário, bilionário e investidor americano. É o fundador e CEO da FTX, uma corretora de criptomoedas, e FTX.US, sua afiliada nos EUA. A FTX, empresa que era avaliada em US$ 32 mil milhões, faliu, gerando prejuízos bilionários (e ainda em contabilização) aos seus clientes.

Pecado moral: inveja
Justin Sun, o homem que voltou a subir ao Tron

Sun, quando nasce, é para todos. Vejamos: ex-presente-CEO da Tron, CEO da BitTorrent, investidor na Poloniex, cripto-diplomata de Granada na Organização Mundial do Comércio e atual-futuro-comprador da Huobi.
Neste Tron, o rei Justin não vai nu e leva consigo amigos valiosos: CZ, de quem é muito próximo, e Sam Bankman-Fried, de quem se tem vindo a aproximar. De olho nos ativos da FTX, já afirmou ter interesse na compra. Justin time?
E mesmo já tendo no currículo umas omissões ao governo chinês e quase confissões de cópia de projetos como Ethereum e IPFS, fica o sentimento de que só ainda agora começou. Uma coisa é certa: devemos passar a olhar por cima do ombro todas as vezes que ouvirmos here comes the Sun.
Justin Sun: empresário e investidor em várias áreas de negócios e em todo o mundo. Fundador da rede social Peiwo, fundador da Tron, CEO da BitTorrent, embaixador e diplomata de Granada na Organização Mundial do Comércio, possível comprador da Huobi.

Pecado moral: ira
D. Nayib I, O Salvador

Durante este duro inverno que tem constipado tantos investidores e congelado tantos portefólios, Nayib Bukele é dos que sai à rua sem agasalhos.
Tal como os ursos (ou como os touros, dependendo da perspetiva), o jovem presidente tem vindo a preparar o país para uma longa fase de hibernação, aumentando as suas reservas (em Bitcoin) e minimizando o gasto de energia. Desde a sua eleição, este doutor financeiro tem realizado operações delicadas e nem todos concordam com a sua forma de exercer. A essa assembleia de im(pacientes), Bukele prescreve uma Bitcoin por dia - e ai o bem que lhe fazia!
Nayib Bukele: conhecido como o Presidente "pro-Bitcoin" de El Salvador, responsável pela sua legalização enquanto uma das moedas oficiais do país.

Pecado moral: gula
CZeus, o Deus

De investidor, a vendedor, a possível comprador, a denunciador. Foi esta a sequência de "dores" sentidas por Changpeng "CZ" Zhao, CEO da Binance, em relação à FTX, e parece que, ao dia de hoje, se tornaram crónicas. Tem sido sincrónico: onde há fumo, há FOMO. E founders em fuga.
As falências das exchanges têm chegado como antestreias, verdadeiras passadeiras de velas vermelhas, onde alguém anuncia, sem "pump", mas com circunstância, eventos que resultam em capitulações. Foi assim com a Celsius, com Terra Luna e, até conhecermos um novo capítulo, será assim com a FTX.
Onde fica CZ e a Binance no meio disto tudo? Será ele o Deus que regressa ao terceiro dia, conforme a Blockchain? Ou encontraremos mais um diabo nos detalhes? Precisávamos de um dicionário de A a CZ.
Changpeng "CZ" Zhao: Fundador e CEO da Binance, a maior exchange do mundo. É uma das figuras mais relevantes no espaço cripto e extremamente influente social e politicamente.

Pecado moral: soberba
Michael Arcanjo, guerreiro do Apocacripto

Eterno crente e fiel à Bitcoin, este São Miguel navega pelos turbulentos mares da volatilidade sem perder o norte. Imparcial ao cenário macro, a sua micro-estratégia cisma em manter o peg.
E tal como São Miguel é o Arcanjo da Justiça e do Arrependimento, Michael Saylor defenderá o supremo modelo de justiça digital, rezando a Deus (não confundir com CZeus) que o livre do mal... ou de um evento de liquidação que culmine em arrependimento. No fim das contas, este arcanjo digital pagar-te-á sempre na mesma moeda: $BTC.
Michael Saylor: proeminente figura no espaço cripto, cofundador da Microstrategy e um eterno defensor e investidor na Bitcoin.

Diana Carvalhido é partner e diretora criativa da Ivity Brand Corp
Ricardo Monge é business manager da RealFevr

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