Vais embora mamã, não me deixes aquI

"Era um portoo... italianoooo / mesmo ao pé das montanhas." Tenho a certeza de que há toda uma geração que identifica prontamente este início de música. Como tenho a certeza também de que muitos desses "vocês" partilham comigo as memórias de horas angustiantes a viver na pele as aventuras do pequeno Marco à procura da sua mamã.

Eu não o escondo: chorei, mais do que a minha virilidade masculina gostaria de admitir, a cada vez que ouvia "Vais embora mamã, não me deixes aqui! Adeus mamã, pensaremos em ti!"

Tenho a perfeita memória disso, de como aquela música e aquela história me faziam temer o mesmo destino do pequeno Marco; de como transformavam aqueles pedacinhos de tardes em longos e intermináveis anos de sofrimento na perceção de um petiz de 4/5 anos cuja mãe apenas estava ausente no emprego e por isso ficava aos cuidados (supercarinhosos) da avó.

Tal como o sonho, a separação, de algo ou alguém, é uma constante da vida.

Como todos os pais sabem e qualquer pedopsicólogo explica, o medo da separação é um dos primeiros e mais básicos medos sentidos pelas crianças - o medo de perder o pai ou a mãe, de ficar longe deles, de perder a proteção...

Tal como o sonho, a separação, de algo ou alguém, é uma constante da vida. A separação do primeiro brinquedo, da primeira bicicleta, dos amigos de escola que ficam para trás, da primeira namorada/o, dos avós que partem, da casa dos pais, da primeira mulher/marido (cada vez mais), do filho cuja vez chegou de sair de casa até à separação final e irreversível da própria morte. E é fundamental uma boa educação emocional para lidarmos com ela, como com outros sentimentos fortes, ao longo do caminho.

Sem tirar valor à Matemática, ao Português e demais ciências e letras dos currículos escolares, penso que reside aqui um dos maiores défices culturais modernos: falta educar para as emoções numa sociedade abrutalhada que, tal como o pequeno Marco, sente falta de um afago maternal.

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