Paris, Texas vale bem uma reportagem

Tinha 13 anos quando se estreou Paris, Texas e claro que me disse mais o cartaz com Nastassja Kinski do que a assinatura de Wim Wenders como realizador. E foi só por ter visto o filme uns anos depois que não repeti, como cheguei a ouvir, que falava de uma viagem do Texas até Paris. Sim, há gente a viajar nele, mas sem sair do Texas, ainda que quando uma das personagens fala de Paris a outra pense logo em França. Estamos todos desculpados.

Tinha mais ou menos o dobro da idade quando ia num autocarro e um balanço me fez abrir os olhos e ler numa placa Paris, Texas. Despertei e comecei a olhar para as lojas, oficinas e estações de serviço que decoravam a rua principal da cidadezinha texana, quase a entrar no Arkansas, onde fica Hope, a terra natal de Bill Clinton, meu destino. Vindo de Dallas, o autocarro Greyhound, sim daqueles em chapa com um galgo desenhado que se vê nos filmes de Hollywood, lá parou para sair alguém e não entrar ninguém.
E uns minutos depois, Paris, Texas estava para trás.

Fiquei com a ideia de que era só mesmo uma rua. Tudo porque do lado esquerdo da estrada já quase não há casas. Estava errado ou então houve um boom imobiliário. Bastou-me ir ao Google Maps para ver que hoje do lado direito há muitas casas, ainda que distanciadas umas das outras. Devem ter quase todas um grande quintal, que o que não falta por ali é espaço. O Texas, que chegou a ser um país independente, é maior do que a Espanha ou a França.

Fui a Hope porque ali tinha nascido Clinton. Mas já não havia sinais da mercearia dos avós que o criaram enquanto a mãe, viúva, estudava para enfermeira. De qualquer forma, durante essa viagen ao serviço do DN, ganhei respeito por essas terras perdidas da América profunda, nunca se sabe o que de lá pode vir. Paris, Texas tem só 20 mil habitantes, mas Hope, Arkansas, ainda é mais pequena e nem por isso deixou de ser palco de um verdadeiro sonho americano. Valem bem as duas uma reportagem.

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