Qual Clinton? Qual Trump? E se for Evan McMullin?

Há coisas impossíveis, como o Leicester ganhar o campeonato inglês de futebol... O quê? Ganhou neste ano?! Rebobinando, então. Certo, certo é o próximo presidente americano ser Hillary Clinton ou Donald Trump... O quê? Há outra possibilidade? Há. Tem 40 anos, o que faria desse candidato-milagre o mais jovem presidente americano, batendo o recorde de Theodore Roosevelt, de 42 anos. Este chegou lá de forma esquisita, depois de concorrer, como vice--presidente, na lista de William Mckinley, que ganhou. Puseram--no na posição secundária porque ele era aventureiro, mas aconteceu que o presidente foi assassinado e Roosevelt tornou-se presidente, em 1901, aos 42 anos.

O jovem e improvável candidato de 2016 Evan McMullin, para chegar à Casa Branca, terá de beneficiar de acasos ainda mais fantásticos, mas que são possíveis. Para ganhar a eleição presidencial americana são necessários mais de metade dos 538 do colégio eleitoral, isto é, pelo menos 270 votos eleitorais. Essa, de facto, a meta normal. Mas pode haver a anormalidade de os dois maiores partidos não terem conseguido esse patamar. Por empatarem (como nunca sucedeu), ambos com 269 votos, ou porque, não tendo nenhum chegado a 270 votos, haver ainda um terceiro candidato a ganhar pelo menos um estado.

Foi aí que McMullin, ex-agente da CIA, ex-banqueiro, conservador, mórmon e natural do estado do Utah, apostou. Os miríficos 270 votos não os quis nem tentou ter: McMullin só concorre em 11 dos 50 estados e na esmagadora maioria, dez, tem sondagens residuais. Mas no Utah, onde a sua religião é dominante e os republicanos são maioritários, o candidato republicano neste ano, Donald Trump, é malvisto. As promessas de voto, no seu estado, já puseram Evan McMullin a ganhar numa sondagem e a jogar taco a taco com os grandes, Clinton e Trump. É uma possibilidade séria que ele ganhe o Utah. Só são seis entre 538 votos eleitorais de todo o país, pode parecer irrelevante, mas é o primeiro passo.

A segunda etapa escapa aos esforços de Evan McMullin mas é uma hipótese real. O duelo entre os grandes pode ser de tal modo renhido que Clinton e Trump partilhem os votos fora de Utah de forma igual, à volta de 266 para cada um, ambos abaixo da fasquia salvadora dos tais 270. Com ausência de maioria, a lei americana - o Amendment 12 (que regula a eleição presidencial) - dá à Câmara de Representantes (uma das duas câmaras do Congresso) o privilégio de escolher os três candidatos mais votados e que tenham ganho, pelo menos, num estado. Esta etapa, pelo empate perdedor simultâneo de Clinton e Trump, é a menos provável, mas, a acontecer, lançará na corrida também o ganhador de Utah (ele é o único, fora o famoso duo, a poder ganhar um estado, em 2016).

Na terceira etapa já a estrela de Evan McMullin poderá brilhar de esperança. A Câmara dos Representantes tem maioria republicana e Hillary Clinton tem poucas hipóteses. Mas muitos dos eleitos republicanos são anti-Trump e McMullin pode ganhá-los e ao mesmo tempo, fiel de balança, conquistar os eleitos democratas: "Preferem quem, eu ou Trump?"

Eleitos pela Câmara dos Representantes só aconteceu a dois presidentes, e que presidentes: Thomas Jefferson (1800) e John Quincy Adams (1824). Se os imita, além dessa glória, Evan McMullin pode orgulhar-se de ter começado a maior das corridas pelo pequeno passo de seis votos no longínquo Utah.

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