Telessaúde: o doente na gestão da sua doença

A gestão da doença centrada no doente é um termo cada vez mais abordado por diversos prestadores de cuidados de saúde, com o objetivo de melhorar a gestão da doença crónica, capacitando os doentes para melhor lidarem com os seus principais problemas, nomeadamente os episódios de agudização.

A educação para a sua doença é uma das melhores formas para conseguir uma melhor capacitação do doente para a patologia crónica. A telessaúde, que consiste na utilização de tecnologias de telecomunicação para prestar cuidados de saúde fora dos locais tradicionais de prestação de cuidados, possibilitando, por exemplo, cuidados de saúde à distância, onde os doentes crónicos ou idosos podem receber suporte sem necessidade de deslocação. Um exemplo concreto consiste na telemonitorização dos sinais vitais do doente através de uma aplicação móvel específica, juntamente com a recolha (à distância), via telefone, videochamada ou chat, dos seus sinais e sintomas, permitindo a correlação dos sinais vitais recebidos com as queixas do doente. Estes programas permitem, a médio prazo, melhorar o conhecimento do doente sobre a sua doença, ao facilitarem o reconhecimento dos sinais e sintomas das agudizações e sabendo, prontamente, como atuar.

Como é óbvio, o simples envio dos dados não permite a aquisição desse nível de conhecimentos. Os programas de telessaúde que integram centros de gestão clínica, compostos de profissionais de saúde (cardiopneumologistas, enfermeiros, farmacêuticos e fisioterapeutas), conseguem criar uma dinâmica distinta com os doentes, porque não só recebem a informação enviada, como aplicam questionários específicos para avaliação da sintomatologia, correlacionando a mesma com os biossinais recebidos do doente. Esta interação personalizada contribui, a médio prazo, para o aumento do nível de conhecimentos do doente.

Em simultâneo, a telessaúde permite ao doente crónico uma maior qualidade de vida, porque disponibiliza um acompanhamento de proximidade, uma gestão integrada de sinais, sintomas e de sinais vitais que contribuem para uma menor utilização dos serviços de saúde (urgências, internamento e consultas), no conforto do seu lar, ou seja, uma personalização dos cuidados de saúde, permitindo que o doente tenha um papel mais ativo na gestão da sua doença, sendo, no entanto, necessário um apoio constante dos prestadores de cuidados de saúde.

Para os doentes crónicos, as agudizações são episódios muito importantes para a evolução da doença, mas também devido a serem um potencial precursor de uma ida à urgência, que é uma experiência assustadora e desagradável para o doente e para os seus familiares. Sabe-se que, nos doentes crónicos, é muito frequente entrarmos num ciclo contínuo de admissões, porque uma grande percentagem dos doentes são reinternados nos 90 dias posteriores à sua alta. Nestes doentes, quanto maior o período de internamento, maior a probabilidade de ter um reinternamento posterior.

Voltando ao termo inicial - gestão da doença centrada no doente -, é evidente que a telessaúde, enquanto programa bem estruturado, com suporte à distância, contribui para uma melhor gestão da doença crónica. O doente é parte da solução na gestão da sua doença e dos seus principais problemas e anseios.

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