Israel & Palestina. O agora ou nunca de Netanyahu

Este mês de Julho na Palestina marca aquilo que, a concretizar-se, poderá significar o fim do fim da Palestina enquanto projecto político realizável, já que o Governo de Unidade e Urgência liderado pelo PM Benjamin Netanyahu jogou a carta da anexação "de facto" de cerca de 30% dos territórios da Cisjordânia ocupados em 1967, no princípio do fim.

Israel realizou 3 eleições em menos de um ano para chegar à actual"Geringonça" e encontrou neste Plano de Anexação o seu cimento. O actual PM israelita está em Tribunal acusado de fraude, quebra de confiança e aceitação de subornos numa série de casos de corrupção. Por último, não é certo que Trump seja reeleito em Novembro. Aqui está o "pacote Now or Never" de Netanyahu, já que o PR americano sancionou a mudança da sua Embaixada de Telavive para Jerusalém, reconhecendo-a assim e de forma explícita, enquanto Capital Eterna e Indivisível de Israel.

Neste sentido e, actualmente, Washington é o que o Vaticano já foi para o Mundo e um "Papa" do calibre de Trump nunca poderá ser negligenciado para quem poderá perder a sua "bênção" a partir de Novembro.

Portanto, até lá, aqui fica a "janela de oportunidade", que servirá também para segurar um PM que verá o seu nome por "ruas estreitas" durante o longo período que decorrerá o seu Julgamento, sendo que o assunto "Anexação" não é consensual na sociedade israelita, cada vez mais "refusenik" no modo do relacionamento com os palestinianos e os seus direitos.

A questão palestiniana, na qual não quero entrar, por se tratar de terreno minado e no qual nunca ninguém sai ileso, mesmo analisado para lá do "Benfica-Sporting" habitual, tem a particularidade de ter saído da Agenda Internacional logo após a Queda do Muro em 1989 e de ter "voltado à baila" durante as "primaveras árabes", não como actor principal, mas como uma "não justificação positiva".

Ou seja, os especialistas mais reputados sobre Relações Internacionais e Região MENA, nas primeiras análises foram unânimes em referiram precisamente que, 2011 marcava uma mudança-ruptura na "rua árabe", já que pela primeira vez esta se mobilizava transversalmente por assuntos seus, de acordo com cada geografia e não, pela clássica questão palestiniana.

Nesse sentido, o da nova mobilização internacional que este "Julho palestiniano" está a provocar, há que assinalar que Portugal não ficou de fora, já que um grupo de artistas e intelectuais portugueses enviou uma Carta Aberta ao Governo português, contra a anexação da Cisjordânia e pelo reconhecimento do Estado da Palestina.

Esta missiva elenca os seguintes pontos:
"Por imperativo de consciência e em nome da paz e da justiça, os subscritores reclamam do Governo Português:
1) que reconheça, de imediato, o Estado da Palestina nos territórios ocupados por Israel em 1967, com Jerusalém Leste como capital, conforme as resoluções pertinentes das Nações Unidas;
2) que reavalie todo o quadro de relacionamento com o Estado de Israel caso o governo deste país, em violação do direito internacional, persista em concretizar o anunciado projecto de anexação "de jure" de território palestino;
3) que use todos os instrumentos políticos e diplomáticos ao seu alcance, em particular no sistema das Nações Unidas e na União Europeia, no sentido da defesa intransigente dos direitos do povo palestino."

Pessoalmente aceito e compreendo o argumento inteligentemente utilizado e que diz que Jerusalém e a Palestina não estão a ser ocupadas mas sim libertadas. O calendário assim o diz. O que me incomoda é ver um Estado mais novo que a minha avó, deitar abaixo oliveiras com mais de 100 anos para construir uma fábrica de cimento!

Politólogo/Arabista

O Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG