Touradas: Cultura de liberdade vs. Cultura autoritária

No próximo dia 6 de Julho estaremos novamente no Parlamento a debater um conjunto de iniciativas do PAN, BE e PEV, que têm todas como objetivo acabar com as corridas de touros.

Se, no passado, as tentativas destes partidos, populistas, demagógicos e antidemocráticos, todas falhadas, eram mais ou menos encapotadas, desta vez, o PAN propõe explicitamente o fim das corridas de touros e o Bloco de Esquerda e o PEV propõem o fim dos apoios públicos, quer financeiros, quer institucionais, a todos os espectáculos tauromáquicos, o que inclui também as largadas e outras manifestações populares com a presença do touro bravo.

Os argumentos vão de análises históricas a estudos "mais ou menos científicos" que levam qualquer pessoa menos informada às conclusões pretendidas - que as corridas são uma barbárie e de quão selvagens e retrógrados são todos quantos as apoiam e assistem. O BE também considera os espectáculos violentos e capazes de influenciarem "negativamente a formação da personalidade de crianças e adolescentes", pelo que não deverão ser transmitidos na televisão sem "bolinha vermelha", e sempre depois das 22h30.

O que perpassa todas estas iniciativas é a posição totalitária, prepotente e antidemocrática destes partidos, que pretendem impor a toda uma sociedade aquela que é a sua visão, não aceitando, e condenando até, quem pensa diferente.

De Vinhais a Albufeira, todos os anos, cerca de meio milhão de portugueses - os aficionados e os não aficionados, mas que apreciam o espectáculo taurino - assistem a corridas de touros nas praças. 32,7% dos portugueses afirmam-se aficionados (dados Eurosondagem), fora todos os que a elas assistem na televisão, e que foram cerca de 2 milhões em 2017. Concluímos assim que somos, portanto, cerca de 3 milhões e meio de bárbaros em Portugal! Um terço da população! E há ainda outro terço da população que, não gostando da modalidade, não assiste, mas democraticamente respeita quem gosta.

Na ânsia de atingirem o seu objetivo, estes partidos não olham a meios, usando argumentos falsos, deturpando a realidade e mascarando os números, muito ajudados pela maravilha que é hoje a evolução tecnológica, que permite vidas em realidade virtual, na qual uma única pessoa se pode multiplicar em vários perfis digitais e onde um simples ajuntamento de pessoas se torna numa multidão! Tudo potenciado, claro está, pelas redes sociais, que têm tanto de bom como podem ter de pérfido.

Podia argumentar que o touro bravo é criado em liberdade, no campo, e que a raça foi apurada por um longo processo de seleção natural, no qual são escolhidos, como melhores exemplares, precisamente os que revelam mais bravura e que, sem touradas, a raça desapareceria, levando, obviamente, a uma perda de biodiversidade, o que é verdade!

Podia argumentar que estes partidos não sabem nem nunca saberão o verdadeiro sentido da coragem, bravura e solidariedade dos forcados que, em conjunto, enfrentam o touro, numa verdadeira luta do Homem com a besta que tem raízes míticas ancestrais, o que é verdade! Podia ainda argumentar que estes partidos não sabem o que é viver no campo, no mundo rural, onde as corridas e as largadas de touros são uma matriz identitária do nosso património cultural, o que é verdade também e foi confirmado pela ERC! Mas julgo que bastará dizer que os verdadeiros motivos são mais uma tentativa de doutrinação da sociedade numa visão castradora da liberdade individual, que é tão característica destes partidos radicais.

O BE, por exemplo, que acusa a tauromaquia de ser uma afronta aos direitos fundamentais das crianças e adolescentes a terem um desenvolvimento saudável, livre de perigo e que lhes permita tornarem-se adultos que se pautem pelos valores de respeito, dignidade, tolerância, igualdade e solidariedade, é o mesmo BE que promove acampamentos de verão onde os jovens podem participar em "workshops" sobre temas como: "Trabalho sexual: o direito ao corpo"; "Direito à boémia: necessidade de vida noturna para produção e radicalização cultural" (contra as touradas certamente também), ou ainda "Desobediência Civil", só para citar alguns temas.

É caso para perguntarmos: quais dos valores pretendemos dar aos nossos jovens? Eu já fiz a minha escolha!

Deputada CDS-PP

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