Como a pandemia virou do avesso as nossas vidas

O novo coronavírus mudou o mundo como o conhecíamos. O que significa que virou do avesso as nossas vidas. Dos encontros sociais às reuniões de trabalho, passando pelas mais comuns tarefas diárias, tudo foi súbita e radicalmente alterado, e a maioria de nós não gostou da perturbação, da velocidade do inesperado, da instabilidade do presente, da incerteza do futuro. Neste setembro de 2020, seis meses depois do início do confinamento, aguardamos com ansiedade uma vacina Covid-19 para nos sentirmos outra vez sem segurança e para que volte a vida que tínhamos.

Porém, se quisermos ser realistas, é uma evidência que não voltaremos a viver tão cedo essa vida tal como ela era. Desde logo, porque a criação de uma vacina tem horizonte também ele incerto, como incerta será a rapidez da sua distribuição à escala global.

Múltiplos especialistas têm alertado para que não haverá uma situação em que de repente, ao fim de meses (ou até anos - nesta altura é uma incógnita) de escuridão, ligam-se as luzes, temos uma vacina, ela é aplicada na comunidade, e a população do planeta fica vacinada. Pior: uma propaganda irreal e prematura da vacina poderia levar as pessoas a acreditar que todos os problemas tinham acabado assim que sentissem a agulha no seu corpo - e isto é, muito simplesmente, falso.

No momento há uma série de vacinas candidatas, em desenvolvimento, mas os mesmos especialistas lembram que tentar acelerar demasiado o processo fará subir imensamente a probabilidade de qualquer uma delas ser de eficácia limitada.

Acresce que a eficácia de uma vacina será sempre definida pela redução que produzir na frequência da doença numa população vacinada por comparação com uma não vacinada. Isto é, a vacina pode perfeitamente não erradicar o vírus.

Ao mesmo tempo, com a capacidade de resposta que teve de ser criada com a pandemia, todo o nosso sistema de saúde estará mais preparado para qualquer crise futura, para lidar com pandemias e epidemias, sejam elas provocadas por novos surtos de coronavírus ou qualquer outro desafio sanitário de grandes dimensões. Havendo já estes sistemas e estruturas, poderemos reativá-los apenas em situações de necessidade.

Por outro lado, com a explosão da evolução e do uso das tecnologias digitais, a somar à perceção de que muitos setores podem continuar facilmente a sua atividade sem terem de enviar o seu pessoal para os quatro cantos da cidade, da região, do país, do mundo, e à confirmação de que na maioria dos casos não é preciso as pessoas estarem na mesma sala, no mesmo espaço físico, para concretizar projetos e obter resultados, as projeções indicam que as viagens de negócios serão reduzidas em boa parte das grandes áreas da economia.

No contexto especificamente laboral, muitas empresas continuarão a olhar de outra forma para o trabalho em casa. Um novo paradigma mais focado na eficiência e na eficácia dos resultados, e menos numa visão de "escritório", pode ser benéfica, com o devido equilíbrio, para os colaboradores e para as organizações.

Em conclusão: é muito provável que o "novo normal" seja de longa duração. É possível que daqui a um ano continuemos a ver pessoas de máscara em público - nas ruas, e obviamente em espaços fechados. Sobretudo aquelas pessoas mais vulneráveis, que pertencem aos grupos de risco.

O mundo mudou e vai permanecer mudado. E, com ele, as nossas vidas.

Responsável pelas Relações Institucionais da DECO PROTESTE

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