O alarme das migrações


A política de acolhimento de migrantes, em busca de refúgio que os salve das contendas e misérias que lhes destruam o direito de terem futuro razoável, está a mudar a obrigação dos valores humanitários pelas exigências locais da segurança de interesses e também modos de vida que aos naturais parecem enfraquecidos. A União Europeia, que começou por recolher os que apareciam necessitados do acolhimento humanitário, encontra-se a enfrentar o conflito entre deveres humanitários e capacidades materiais, a ponto de a transformação do Mediterrâneo num cemitério acusado pela debilidade dos meios de transporte coletivo dos emigrantes, começa a ver o recurso à violência, não apenas de abandono de deveres assumidos, mas do uso de violências de autoridades de segurança.

A questão recente derivada da intervenção não amigável da Turquia e da Grécia, a primeira a demonstrar que não são tratados nem ética que condicionam obrigatoriamente os deveres que assumiu, com preço. Segundo a imprensa, a Grécia enfrenta, com a sua consciência, os métodos policiais que visam reter no mar os frustrados emigrantes. Uma das notícias evidencia que em 6 de março, na fronteia greco-turca, de madrugada, foi usado gás lacrimogénio, extremamente agressivo, ouvindo-se o grito de "abram as fronteiras", um acontecimento de que a Turquia decidiu invocar não participação, com interdição crítica aos jornalistas, anunciando a intervenção armada da polícia grega, cujo governo alguma fonte afirma ter apelado, usando envolver de maneira condenável o comportamento dos opositores, métodos que ocasionalmente atingem a imagem das instituições europeias como o Frontex, ou levianamente quaisquer outros membros da Comissão.

Os apelos fundados nas obrigações humanitárias felizmente ainda não deixam de se manifestar, sobretudo oferecendo proteção e apoio às crianças atingidas por esta passagem do dever para a intervenção armada, não faltando a reunião, em busca de terminar com esta loucura, das 27 embaixadas dos 27 Estados membros da União. Naturalmente até agora a melhor resposta obtida é a oferta de recolhimento dos refugiados, tendo naturalmente em conta a capacidade disponível de cada um dos Estados, acontecendo felizmente que a opinião pública procura orientar os parlamentos para terem em consideração generosidade sobre o número de emigrantes que podem receber.

Tudo isto, será um movimento apoiado por noticiários respeitados, que procuram conseguir uma crítica ética da realidade em curso, a qual não recebeu, até agora, um ponto final nesta tragédia que deve à Turquia e à Grécia a intervenção mais desanimadora da Utopia da ONU, e da eficácia das capacidades da União Europeia e cooperantes na ONU, onde todos podem ser animados no sentido de ressuscitarem os passados métodos de cooperação, que surgem afetados com um excesso que abre caminho à violência reciproca e não ao racionalismo exigido pelos princípios do "mundo único" e da "terra casa comum dos homens". A infeliz experiência que o abandono da cooperação tem vivido, talvez por ter sido mal avaliada, como sinal mais amargurante, a queda das Torres Gémeas, lembrando que a paz é difícil, e a guerra do fraco contra o forte pode ser uma resposta inesperada, tendo o apoio do progresso da técnica.

Infelizmente, o descaso pelo Tratado de Paris, e também a suspensão da justiça penal internacional, não contribuem para que a justiça natural contribua para retrair a anarquia que se vai multiplicando, designadamente no continente americano do norte ao sul, na evolução da União com o triunfo do Brexit, na mudança da realidade global pelo encontro concorrente dos emergentes, e a crise soviética a não conseguir dar vigor ao princípio de que a terra é uma casa comum dos homens, proclamação da ONU, quando preferiu sustentar que a fronteira dos seus interesses é mais vasta do que a sua fronteira geográfica. A União Europeia nasceu da congregação de valores de território e povos que tinham sofrido projetos incompatíveis, mas todos uma tragédia humana inesquecível.

Não é aceitável que essa fé na recuperação de uma ética comum de valores, seja atingida por esta condenável política. Toda a utopia da ONU, sobretudo a Declaração de Direitos, está a ser violada, sem lembrar que assumir a proteção das crianças é o primeiro dever adotado contra fazer coincidir, com frieza, a negação do seu futuro e o violável obrigatório respeito pelos inocentes. Nenhum dos intervenientes no exercício deste poder tem direito à condescendência.

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