Nem burqa nem niqab

A Holanda juntou-se a França, Bélgica e Bulgária e está prestes a tornar-se o quarto país europeu a proibir a burqa e o niqab nos transportes e edifícios públicos. Ora, é importante não confundir estes dois tipos de véu islâmico integral com o simples lenço a cobrir o cabelo que milhões de muçulmanas usam, na Holanda como mundo fora: a burqa cobre todo o corpo e o rosto, enquanto o niqab deixa só os olhos a descoberto.

Para evitar as críticas de que se trata de uma medida discriminatória da comunidade muçulmana, que representa 6% dos 17 milhões de holandeses, o governo usa a justificação da segurança e estende a proibição aos capacetes e passa-montanhas. Segundo cálculos das autoridades, são apenas cerca de 150 as mulheres afetadas, número diminuto que dá argumentos tanto aos adeptos da nova lei como aos críticos.

É bem simbólico que a adoção da lei por 132 dos 150 deputados tenha sido anunciada por Khadija Arib, de origem marroquina e que preside o Parlamento. Trata-se de uma prova de que a Holanda é um país capaz de integrar os imigrantes, fiel, aliás, a uma tradição de tolerância religiosa que tem séculos e que beneficiou muito os judeus expulsos de Portugal.

A questão da segurança é pertinente, mas a proibição das duas formas extremas de vestuário também pode ser defendida em termos de defesa da sociedade liberal que os holandeses souberam construir. Uma mulher de rosto tapado, mesmo que por vontade própria, é uma mulher que acaba por não existir para a própria sociedade onde vive. E, além disso, se a Holanda é tão atraente como país de destino ou de refúgio, merece também como país que aqueles que nela vivem se conformem com as normas de vida social dominantes.

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