Começar a mudar

É o melhor sistema de ensino do mundo, tendo conseguido o primeiro lugar em todas as áreas avaliadas pelo PISA (Matemática, Ciências e Leitura). Não se trata da Finlândia, mas de Xangai, onde é comum ter aulas aos fins de semana, em salas a abarrotar e em que os professores se limitam a debitar matéria e receitar exercícios para fazer em casa no final de cada tempo letivo. Porque é que funciona? Por uma questão cultural: a obsessão pelo estudo, o respeito absoluto pelas instituições, o tremendo estímulo tecnológico a que os miúdos estão expostos. Fora da cultura asiática - que inclui cinco dos dez países que melhores resultados obtêm -, é o sistema finlandês que regista melhores resultados. Uma organização em que os alunos são estimulados a aprender introduzindo no horário letivo uma boa dose de aulas práticas - quer relacionadas com as disciplinas tradicionais quer de áreas que está provado que ajudam a estimular o raciocínio, criar aptidões e garantir uma mais-valia na formação. Mas tudo isto resulta de algo maior. A verdadeira razão por que este sistema ganha é o investimento e a atenção que são dados à formação de professores. Já o disse aqui: copiar fórmulas a seco nunca é uma boa ideia. Mas nada há de errado em aprender com os bons exemplos. Em Portugal, há anos que se vem debatendo a utilidade dos exames - a alunos e professores, em diferentes níveis de ensino -, dos chumbos, dos currículos escolares sempre demasiado intensivos e densos. Os problemas estão identificados há décadas, mas cada novo ministro tenta reinventar a pólvora a partir de diagnósticos mais ou menos superficiais que nunca contam - como poderiam se não há reforma que se cumpra? - com os resultados de mudanças anteriormente introduzidas. Mas nunca se chega ao essencial: a criação de um entendimento alargado que permita um compromisso real para a educação. E que tem de ter uma componente muito forte de respeito e atenção à carreira de docente. Num estudo da Fundação Varkey - que decidiu contribuir para aumentar o respeito pela profissão e distinguir os melhores com um milhão de dólares -, Portugal surge entre os países onde o salário de um professor é menor, há menos compensações e recomendações para seguir esta carreira. Melhorar esta realidade incentivá-los-ia a trabalhar de forma diferente. É aí que começa a verdadeira mudança.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG