O triunfo da vontade

Na semana passada, o The New York Times trazia uma notícia curiosa, quiçá caricata: um arquitecto nova-iorquino cedeu o seu selo profissional e a sua assinatura para três projectos imobiliários colossais, um dos quais um gigantesco prédio em Hudson Yards, com quase 200 metros de altura, outro um hotel nas imediações do Aeroporto La Guardia e, outro, um edifício residencial no Bairro de Queens.

Acontece que o dito arquitecto, de seu nome Warren Schiffman, estava reformado há vários anos e nunca viu sequer as plantas e os desenhos que levavam o seu nome. Quando se aposentou, em 2016, Schiffman assinara um contrato com a firma em que trabalhava, nos termos do qual esta poderia usar a sua assinatura e o seu carimbo sempre que necessitasse, em troca de uma choruda pensão ao ano. A fraude está agora a ser investigada pelas autoridades da cidade, mas ninguém sabe ao certo quem realmente desenhou e projectou o edifício que agora existe em Hudson Yards e o hotel perto de La Guardia (o prédioem Queens ainda não foi aprovado).

Foi só mais uma notícia das muitas que temos sabido sobre o imobiliário de Nova Iorque, de Londres ou de Paris, um território que, no caso da Big Apple, está cada vez mais reservado não já aos ricos, ou sequer aos muito ricos, mas à nova e emergente classe dos ultra-ricos, pessoas cuja fortuna se conta não por milhões, mas por vários milhares de milhões. Uns falam em bilhões, outros em biliões, mas em qualquer dos casos é muito e muito dinheiro, uma quantidade inimaginável e tremenda de massa.

Em 2014, com a construção do One World Trade Center, o Empire State Building passou a ser o segundo edifício mais alto de Manhattan, mas dentro de dois anos, em 2024, é provável que passe para a 11.ª posição nessa tabela, pois encontram-se em vias de licenciamento, ou já em construção, arranha-céus de bradar aos deuses: 20 dos edifícios que estão a ser erigidos em Manhattan irão figurar entre os 30 mais altos do mundo, o que dá bem a ideia, por um lado, do frenesi construtivo que está a assolar aquela cidade e, por outro, da rapidez com que se está a processar esta fúria da construção a grande altitude.

O que é sintomático não é estar a construir-se a alturas cada vez maiores, mas sim o facto de este fenómeno se processar num curto lapso de tempo, ou seja, de ser uma tendência ou moda recente, mas de efeito retumbante, com marcas irreversíveis.

Dir-se-á que em Manhattan sempre se construiu em grande magnitude e em larga altura, e que sempre houve prédios exclusivos para os ricos e mega-ricos. Sucede, porém, que o que agora se passa, em Nova Iorque e no mundo, ocorre a uma escala e a um ritmo sem precedentes, nunca ocorridos na História. Para se ter uma ideia, existem 3,7 mil milhões de metros quadrados licenciados em Nova Iorque, o que daria para erguer na cidade qualquer coisa como 1300 edifícios do tamanho do Empire State Building... caso para dizer que a ilha de Manhattan é grande, mas não assim tanto.

E o que mais espanta e confrange é que a maioria das novas torres, apropriadamente denominadas supertall, têm apartamentos esplendorosos, de três, quatro, cinco pisos, com vistas privilegiadas para a skyline ou para o Central Park, mas que serão escassamente habitados, já que os seus proprietários dormirão lá, na melhor das hipóteses, meia-dúzia de noites por ano.

O mesmo ocorre nos elegantes bairros do centro de Londres, onde as mansões dos oligarcas e dos multimilionários permanecem fechadas durantes meses ou anos a fio, servindo de poiso ocasional para gente ubíqua que, no rigor da palavra, não mora em lado nenhum, pois vive em toda a parte e em jet lag permanente. O efeito mais notório disto, claro está, é que, com tanta casa encerrada, os endereços mais exclusivos de Londres converteram-se em zonas fantasmagóricas, onde não se vê vivalma à noite: quarteirões e quarteirões com luzes apagadas, uma atmosfera fantasmagórica e aterradora que é bem descrita por Rowland Atkinson em Alpha City - How London was captured by the super-rich (Verso, 2020).

Durante o dia, a coisa ainda é disfarçada pelo movimento dos turistas, incluindo os que fazem os kleptocracy tours, uma ideia piramidal do jornalista de investigação Oliver Bullough, que há pouco publicou um livro notável, Butler of the World (Profile Books, 2022), que, como o subtítulo indica, é um relato assustador do modo como o Reino Unido se converteu num fiel mordomo e num servo obsequioso dos milionários, dos fugitivos ao fisco, dos cleptocratas e dos criminosos do mundo inteiro.

Já antes, Bullough tinha escrito um livro extraordinário, quanto a mim a sua melhor obra, Moneyland, por cá editado com o nome O País do Dinheiro - A história dos super-ricos e corruptos que estão a roubar o mundo e a destruir a democracia. É espantoso que um livro destes, finalista do Prémio Orwell, considerado "livro do ano" pelo Times, pela Economist, pelo Sunday Times, pelo Daily Telegraph, tenha tido tão pouca repercussão entre nós, uma falha tanto mais lamentável quanto os casos que aí se abordam e denunciam são ilustrativos do mundo e do tempo em que vivemos.

Quem não gostou dele foi o vice-presidente de Angola, Bornino de Sousa, que já processou o jornalista britânico por este ter referido que a sua filha, juntamente com a mãe e umas amigas, se deslocaram propositadamente a Nova Iorque para comprarem vestidos de casamento no valor de 150 mil dólares. O caso encontra-se agora nas mãos da Justiça portuguesa (Bornino pede uns módicos 750 mil euros de indemnização), mas, entretanto, Bullough continua a dirigir em Londres uma iniciativa curiosa, os "tours da cleptocracia", em que faz de cicerone pelas mansões dos oligarcas, cleptocratas e outros criminosos de luxo.

Cada vez mais se fala dos efeitos desastrosos da presença dessa gente no Reino Unido, desde logo no plano urbanístico ou quotidiano, pois o que agora está em causa, em Londres e noutras capitais, já não é sequer um processo de "gentrificação", em que um novo tipo de gente ou de função sucede às anteriores; o que agora ocorre , isso sim, é uma autêntica desvitalização dos melhores e mais centrais bairros das cidades, alvo de uma morte triste, parecida com a que Jane Jacobs detectou no coração das urbes americanas.

Os efeitos, todavia, não se cingem ao urbanismo, sendo muito mais amplos e mais graves. Em Dezembro do ano passado, dois meses antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, a Chatham House, um dos mais prestigiados institutos de investigação e think tanks do mundo, publicou um relatório corajoso e devastador, The UK"s kleptocracy problem, fruto de um trabalho de pesquisa de vários anos levado a cabo por uma equipa de académicos de excelência, entre os quais se destaca - orgulho! - o português Ricardo Soares de Oliveira, professor em Oxford e especialista em assuntos africanos. Também aqui o subtítulo diz tudo: "How servicing post-Soviet elites weakens the rule of law". Ou seja, este estudo analisa o modo como o poder e o dinheiro das elites da antiga URSS (Rússia, Ucrânia e outras repúblicas) estão a corroer os alicerces da democracia, do sistema judicial e do Estado de Direito na Grã-Bretanha.

O problema não é os oligarcas serem ricos e influentes, gastarem milhões em clubes de futebol, iates ou casas de campo; a questão é outra, mais grave e mais funda, e tem a ver com a inimizade profunda dos ultra-ricos relativamente às mais elementares e saudáveis regras de civilidade e convívio democráticos e aos princípios básicos, como a igualdade perante a lei, a liberdade da imprensa ou a independência dos tribunais.

Um amigo de Putin quer construir um mamarracho em Kensington, fora de todas as regras urbanísticas? Pois uma equipa de advogados, paga a peso de ouro, encontrará formas de descobrir buracos na lei para permitir a façanha e a patranha, ou arranjará forma de mexer os cordelinhos certos junto das entidades camarárias, ou até de pressionar mais alto, se for caso disso. Um jornal ousa publicar uma notícia desfavorável a algum oligarca eslavo? Outro batalhão de causídicos de luxo sufocará o periódico e o respectivo jornalista com pedidos de indemnizações estratosféricas, que servem de aviso dissuasor para futuras reportagens. A par disso, há a compra de influência política, os milhões gastos em lóbis ou falsas iniciativas caritativas, os donativos feitos às claras ou às escondidas para partidos e grupos de pressão.

Hoje, além de trabalharem para ditadores corruptos de todo o mundo, os maiores arquitectos mundiais são os agentes estéticos do novo capitalismo global, mais injusto e mais desigual, poluído por ultra-ricos sem moral nem escrúpulos.

Não admira, assim, que o inenarrável Boris Johnson tenha tido o desplante de nomear para a Câmara dos Lordes, além de Jo Johnson, o seu próprio irmão (!), um cavalheiro chamado Evgeny Lebedev, filho de um oligarca russo e ex-agente do KGB, dono de dois dos mais importantes jornais britânicos, o Evening Standard e o The Independent. Isto para não falarmos de outro lorde, Greg Barker, que, após ter sido ministro da Energia do governo de David Cameron, foi trabalhar, a 4 milhões de dólares/ano, para a empresa de um oligarca russo, Oleg Deripaska, o "rei do alumínio", com quem mais outro lorde, desta feita trabalhista, Peter Mandelson, passava férias em Corfu, na companhia de outro político cimeiro, George Osborne, ministro das Finanças de Cameron e figura-chave na angariação de donativos russos para a campanha do Brexit e para o Partido Conservador, o qual, desde 2012 até hoje, recebeu mais de três milhões de libras de dois oligarcas, Lubov Chernukhin e Alexander Temerko, entre outros, em operações que tiveram o seu quê de surreal: Temerko ofereceu um busto de Cameron para a sede do partido, no valor de 50 mil libras; Andrei Borodin, ex-chairman do Banco de Moscovo, deu 40 mil libras por um retrato a óleo da Sr.ª Thatcher; a mulher de um antigo ministro de Putin ofereceu 30 mil libras aos tories em troca de um jantar com o ministro da Defesa em funções (!), Gavin Williamson, seguido de tour pelos Churchill"s War Rooms, além de ter desembolsado 160 mil libras por uma partida de ténis com Boris Johnson e com David Cameron e 135 mil libras por uma soirée com Theresa May. Reino Unido, o criado do mundo.

Estas são apenas pontas de um icebergue colossal, a que poderíamos juntar ex-governantes alemães, austríacos e italianos nos conselhos de administração de grandes empresas russas, malhas de uma teia imensa que só por ingenuidade ou má-fé julgaremos que não chegou até cá.

Alguém acredita mesmo que Portugal ficou incólume ao dinheiro do Kremlin e dos seus oligarcas? E, já agora, foi anunciado, em meados de Março, um inquérito dos Institutos de Registos e Notariado ao processo de atribuição da nacionalidade portuguesa a Abramovich; falou-se então da abertura de um "Procedimento Disciplinar", sem especificar o número dos funcionários visados. Ao fim de mais de quatro meses, demorará assim tanto a concluir e a anunciar os resultados de um simples inquérito administrativo? Abramovich, por seu lado, não perdeu tempo e, perante a vergonhosa passividade das autoridades europeias, conseguiu fazer deslizar os seus iates pelo Mediterrâneo fora, até paragens turcas e mais seguras... Um dia, quando se fizer a história desta guerra da Ucrânia, ficaremos boquiabertos com as coisas curiosas que nela ocorreram, a maioria das quais nem sequer suspeitamos...

Na contestação às sanções ocidentais adivinham-se batalhas judiciais sem fim, guerras mais prolongadas do que a do Donbass e, na Europa e nos EUA, já há exércitos de advogados a contestarem as medidas sancionatórias de Washington e de Bruxelas.

Tendemos, porém, a esquecer outra profissão liberal, a dos arquitectos, que ao longo da História têm mantido sempre uma relação estranha, para dizer o mínimo, com o poder e os poderosos, mesmo os mais asquerosos. Em The Edifice Complex, um livro fantástico, saído há um par de anos, Deiyan Sudijc, director do Museu do Design de Londres, descreve as ligações perigosas entre os ditadores, os ultra-ricos e alguns dos mais famosos arquitectos mundiais, actuais e passados.

Em 1957, por exemplo, o rei Faisal contratou Frank Lloyd Wright para desenhar o edifício da Ópera de Bagdad ao estilo do Palácio dos Sovietes de Moscovo, encimado por uma colossal estátua do califa mais importante do Iraque, Harun al-Rashid, neto do fundador da cidade. O projecto não se concretizou, mas seria construída a universidade projectada por outro célebre arquitecto, Walter Gropius.

Também Le Corbusier desenharia um estádio desportivo para o Iraque, edificado só após a sua morte, durante anos denominado Centro Desportivo Saddam Hussein, um outro construtor furioso, que tentou disfarçar a derrota na primeira guerra do Golfo com projectos megalómanos, como um gigantesco monumento com duas espadas cruzadas (ideia copiada ao arquitecto londrino Mike Gold, que a tinha concebido para uma autoestrada saudita), cujo modelo das mãos eram as do próprio Saddam, além de mesquitas kitsch, cujos minaretes eram réplicas de mísseis Scud ou de pontas de espingardas Kalashnikov. Numa dessas mesquitas, guardado dentro de uma vitrina, um exemplar do Alcorão, com 650 páginas escritas, dizia-se, com o sangue de Saddam Hussein, doado durante dois anos e a um ritmo pouco credível de meio litro de sangue a cada quinze dias. Tinha quatro minaretes, representando o mês quatro - Abril -, em que começou a invasão do Kuwait, e cada minarete tinha 43 metros de altura, simbolizando os 43 dias de bombardeamentos da primeira guerra do Golfo; já os minaretes interiores tinham 37 metros, uma alusão a 1937, ano do nascimento de Saddam, e as fontes tinham 28 jorros, o dia do mês em que veio ao mundo.

O ditador de Bagdad não era o único a usar a arquitectura como arma política: do lado de lá da fronteira, no Kuwait, as autoridades quiseram mostrar as suas credenciais democráticas, quase nórdicas, encomendando o edifício do Parlamento ao dinamarquês Jorn Utzon, autor da Ópera de Sydney.

Desde as Pirâmides do Egipto que a arquitectura é usada como forma de afirmação do poder e de engrandecimento pessoal dos governantes que a patrocinam, um fenómeno não-exclusivo das ditaduras. Lembremos Mitterrand com a Ópera da Bastilha, a Pirâmide do Louvre e o Arco da Défense. Ou recordemos que Tony Blair quis deixar a marca do New Labour através de um projecto megalómano, o Millenium Dome, erguido apressadamente durante dois anos, com um volume de 2,2 milhões de metros cúbicos e gastos correspondentes.

O que impressiona, na verdade, não é que os políticos usem a arquitectura, mas sim o modo como esta se deixa usar pela política. Ou, se quisermos, pelos poderes de uma forma geral, pois na França do pós-guerra, por exemplo, tanto o Partido Comunista pediu a Óscar Niemeyer para lhe desenhar a sede em Paris, como a hierarquia católica utilizou Le Corbusier ou Alvar Aalto para dar uma imagem de modernidade e sintonia com os novos tempos e modos.

Há casos lendários, como o de Albert Speer, o arquitecto favorito de Hitler, preso no pós-guerra e interrogado por dois militares americanos (curiosamente, George Ball e John Kenneth Galbraith), que até ao final dos seus dias tentou maquilhar a sua abjecta cumplicidade com o nazismo, o sonho louco de uma nova Berlim, a qual, para eterno esplendor do Reich, estaria concluída... em 1950. Speer, porém, não foi caso único e até o insuspeito Mies van der Rohe, que concebera o monumento a Karl Liebknecht e a Rosa Luxemburgo, assinou uma moção em apoio de Hitler no referendo de 1934, juntou-se à Reichskultur-kammer, de Goebbels, adaptou o traço ao (mau) gosto dos nazis, tudo na mira de vencer o concurso para a nova sede do Reichsbank, em que foi um dos finalistas, competindo com outro nome grande da Bauhaus, Walter Gropius, o qual, juntamente com Le Corbusier, não hesitou também a apresentar-se ao concurso para o estalinista Palácio dos Sovietes de Moscovo, que acabaria por ser vencido por Boris Iofan.

De outro arquitecto soviético, Alexei Shuchsev, existe, aliás, uma história caricata de subserviência servil: o Hotel Moscovo, a dois passos da Praça Vermelha, tem uma fachada assimétrica e incongruente pelo simples motivo de que, por distração, Estaline apôs a sua assinatura em dois projectos distintos e ninguém teve coragem de lhe dizer que se tinha enganado. Optaram, então, por erguer um edifício compósito, com traços dos dois projectos, uma decisão ecuménica e bem prudente.

Hoje, além de trabalharem para ditadores corruptos de todo o mundo, os maiores arquitectos mundiais são os agentes estéticos do novo capitalismo global, mais injusto e mais desigual, poluído por ultra-ricos sem moral nem escrúpulos. A questão não é apenas a de prostituírem o seu traço e de ninguém se atrever a questioná-los sobre coisas como o respeito pela democracia e os direitos humanos ou a origem suja do dinheiro que lhes paga os serviços. O que mais irrita é o facto de muitos arquitectos se portarem de forma igual ou pior do que advogados e outros profissionais, mas pretenderem dissimular os seus gestos com um verniz estético e uma pátina cultural que os torna imunes à crítica e aos deveres de consciência.

Figuram-se e apresentam-se como "artistas", como estetas neutrais em política, para assim cumprirem a sua tarefa de legitimação de regimes ditatoriais ou da selvajaria financeira. Mesmo entre nós, e a uma escala bem diferente, há vestígios dessa arrogância, visível na forma como muitos arquitectos, até os de maior nomeada, querem deixar a "sua" marca, que julgam ser genial e audaz, em espaços que exigiriam maior humildade e maior respeito pela história e pela arquitectura envolventes.

Ao contrário de uma peça de teatro ou de um quadro a óleo, que podemos ver ou não ver, um edifício é sempre uma presença invasiva no espaço público, com o qual todos somos obrigados a tropeçar. Exigia-se, por isso, da parte dos arquitectos uma atitude de maior modéstia e contenção, de mais respeito por esta natureza pública das suas criações, mas o que vemos, na maioria dos casos, é justamente o inverso: ora para servirem o lucro dos promotores e donos de obra, ora para enaltecerem os seus próprios egos, muitos arquitectos impõem-nos o seu estilo e o seu traço, num autocrático triunfo da vontade, fazendo-o com total desprezo pelo espaço circundante - e por todos nós.

Felizmente, há excepções, conheço algumas e boas, mas são poucas numa longa lista de desastres (ex. o edifício da CUF-Tejo, que corta as vistas das Necessidades, o aberrante Hotel Memmo do Príncipe Real, que desfeia a 7.ª Colina e está totalmente desenquadrado dela).

A culpa, é certo, não será dos arquitectos, mas de quem os deixa agir assim. Em todo o caso, seria bom que eles próprios tivessem menos arrogância e menos venalidade, mais humildade e decoro. No fundo, que tivessem um pouco mais de cultura, da cultura de que julgam ser os fautores e exclusivos detentores, outro dos seus embustes. Fica o apelo à Ordem, pois é reflexão que se impõe.

Historiador.
Escreve de acordo com a antiga ortografia.

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