Inflação e Justiça Social: a Vida Justa

A inflação tem vindo a corroer o minguado poder de compra da generalidade das famílias portuguesas. Num país em que mais de metade da população ganha menos de mil euros é fácil perceber que as classes trabalhadoras, incluindo a invisibilizada classe operária de quem é tabu falar, mas também largos extratos da classe média, passam agora enormes dificuldades económicas. A vida torna-se cada vez mais injusta.

Esta inflação tem o seu epicentro na política norte-americana. As sanções impostas à Rússia visam impedir a compra pela Europa do gás russo, barato e abundante, e obrigar à aquisição do gás americano, caro e escasso. Esta é uma fonte permanente de inflação.

Por outro estratégia de enfrentamento americano com a China, através da desglobalização. Esta política, chamada de re-industrialização, tenta substituir a produção chinesa e asiática pela produção norte-americana. Naturalmente esta substituição encarece os produtos ocidentais de forma imediata. É um processo que levará anos a implementar e que vai gerar inflação durante um período prolongado.

Face a esta inflação a melhor resposta do nosso país seria um aumento correspondente dos salários para evitar a perda de poder de compra pelas famílias e a perda na relação de troca entre produtos importados e exportados. Não aumentando os salários dos trabalhadores o país vê aumentada a sua fatura de importação e estagnar o valor das exportações. Consequentemente o deficit comercial já regressou e com ele o risco de nova intervenção externa como a de 2011. A estagnação dos salários é, pois, muito perigosa para a nossa economia.

Os efeitos da estagnação salarial nas famílias são já dramáticos. Nos bairros as pessoas apertam o cinto ao limite, a política do assistencialismo já não consegue suster o aumento da pobreza, das carências de toda a ordem, da miséria. Crescem de novo as soluções de habitação de várias famílias / gerações sob um único teto, a habitação sem condições, as favelas. Muitos doentes não compram os medicamentos, muitas crianças não têm condições mínimas para o sucesso escolar, todos passam frio. A fome instala-se, a saúde degrada-se, a coesão social desfaz-se, a selva e a violência social instalam-se. A vida torna-se cada vez mais injusta

A classe média vai-se afundando. Um licenciado em Portugal ganha menos que o ordenado mínimo dos países do centro europeu e vive pior. A vida torna-se cada vez mais injusta.

As pessoas racializadas, Negros e Ciganos foram empurradas para bairros segregados, guetos, sem condições iguais aos demais cidadãos portugueses. A vida torna-se cada vez mais injusta.

Do governo chegam palavra de grande insensibilidade pelo sofrimento das pessoas. Das instituições chegam palavras ocas, acompanhadas das desculpas da falta de verbas. Isto no momento em que o país recebe a famosa bazuca, i.e. enormes verbas de fundos públicos europeus. Para onde corre esse rio de enorme caudal de dinheiro? Em que bolsos entra? Serve para quê?

As empresas recebendo esta avalanche de fundos públicos não se modernizam continuando a oferecer salários baixos, precaridade aos jovens, insegurança aos mais velhos e a dificultar a ação sindical. A vida torna-se cada vez mais injusta.

Para defender soluções de Vida Justa nasceu um movimento que clama por que a crise seja combatida com justiça social, que proclama a necessidade de proteção da dignidade dos que trabalham e criam riqueza, para exigir do Governo uma outra política social.

Este movimento está a convocar uma grande manifestação para o dia 25 de fevereiro para que todos os que estão a sofrer com a errada política do governo para enfrentar a inflação possam fazer ouvir a sua voz. Uma voz por uma Vida Justa. Uma voz que é urgente ouvir.

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