Hospital de Penafiel precisa de mais do que resiliência na bazuca europeia

No dia 2 de Março, véspera da celebração dos 250 anos da cidade de Penafiel, foi diagnosticado o primeiro caso de COVID 19 em Portugal. À nossa cidade, ainda foi possível viver com alegria e solenidade o seu dia maior - o dia 3 de Março. Mas foi festa de pouca dura. No dia 11 de Março de 2020, a Organização Mundial de Saúde confirmou a Covid-19 como sendo uma pandemia, o que implicou uma mudança radical de todo o paradigma da nossa organização enquanto sociedade.

E, em pouco tempo, a alegria da festa daria lugar a muitos apertos de coração e a dias sombrios nesta região do Tâmega e Sousa. O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, que integra os Hospitais Padre Américo, em Penafiel, e S. Gonçalo, em Amarante, cujas fragilidades e incapacidade de responder adequadamente aos mais de 520 mil habitantes que constituem a sua área de referencia há muito vinham a ser apontadas, ficaram completamente expostas perante o olhar incrédulo do país.

A surpresa foi apenas para os mais distraídos ou alheados do tema, como parece ter sucedido com a Senhora Ministra da Saúde. Por cá, tínhamos ainda bem presentes as imagens das enfermarias lotadas e dos corredores repletos de macas com doentes, que se sucediam, a cada ano, com a chegada da gripe.

Quando foi projectado, o Hospital Padre Américo, em Penafiel, destinava-se a servir uma população de cerca de 320 mil habitantes dos municípios do Vale do Sousa, mas, com a criação do Centro Hospital do Tâmega e Sousa, a área de referência alargou-se aos concelhos do Tâmega e Douro Sul, passando a ter a seu cargo uma população de 520 mil habitantes.

O Hospital de S. Gonçalo, em Amarante, obra faraónica dos tempos socráticos, nunca assumiria um papel de relevo, porque as metas e objectivos de gestão empresarial não permitem a pulverização de meios técnicos ou a dispersão de recursos humanos.

Para se ter uma ideia mais clara da dimensão do problema, diga-se que o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa serve uma população que corresponde a mais de metade da população que é servida pelos 3 grandes Centros Hospitalares do Grande Porto ( o CH Gaia/Espinho, o CH de Sto. António e o CH de S. João). Estamos a falar em cerca de 5% da população nacional.

Eram, pois, legitimas as expectativas de toda esta comunidade em relação ao Plano de Recuperação e Resiliência, que surgiu na sequência da pandemia e por causa da pandemia.

Tendo sido esta região do Tâmega e Sousa uma das mais fustigadas pela pandemia, e tendo em conta as fragilidades que a mesma revelou no sistema de saúde, era expectável que estivesse prevista nesse documento uma intervenção para ampliação e requalificação do Hospital Padre Américo, dotando-o das condições adequadas à sua exigente missão. Lamentavelmente, depois de muito procurar no PRR, nada consta!

Mais uma vez, este território, cujas fragilidades têm sido abundantemente diagnosticadas pelos inúmeros estudos realizados e que todos os índices comprovam, fica esquecido. Pelo IC 35 já esperamos há mais de 20 anos.

Veremos quantos mais anos serão necessários esperar para ternos um hospital capacitado para servir esta população.

Presidente da Câmara Municipal de Penafiel

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