Genéricos estão a chegar às terapêuticas personalizadas no tratamento das doenças oncológicas

Nos próximos anos vamos assistir à perda de proteção de patentes de moléculas complexas presentes em medicamentos para tratamento de doenças também elas muito complexas. Esta é a previsão, por exemplo, para mais de 25 medicamentos anti tumorais, com vendas anuais de 20 mil milhões de euros, a acontecer até 2024.

A perda de propriedade intelectual desta nova geração de medicamentos anti tumorais (também frequentemente designados por produtos potentes ou de contenção) representa uma enorme oportunidade de poupança para os doentes e para os pagadores (leia-se na maioria dos casos o Estado), ao mesmo tempo que constitui um desafio para os desenvolvedores e fabricantes de medicamentos, que sem os custos inerentes à repetição de todo o programa clínico de segurança e eficácia e sem a necessidade de promoção e marketing normalmente associados aos medicamentos originais, conseguem conquistar importantes cotas de mercado para estes medicamentos similares e contribuir para a sua acessibilidade por parte dos doentes.

Tomando como exemplo os países desenvolvidos, é frequente que os medicamentos genéricos conquistem, em média, quotas de mercado da ordem dos 65% (ou seja, mais de 6 em cada 10 unidades dispensadas), sendo que nos Estados Unidos da América muito frequentemente se atingem cotas de mercado da ordem dos 90% para os medicamentos genéricos.

Por via de regulamentação legislativa ou pelo funcionamento normal dos mercados, isto é, pela concorrência entre as empresas, ou pelo efeito cumulativo dos dois mecanismos, muito frequentemente o preço dos medicamentos genéricos reflete reduções superiores a 70% comparativamente ao medicamento original que lhes serve de referência.

Numa análise simplista e tendo como objetivo ilustrar o potencial de poupança, considerando apenas os fatores redução de preço e conquista de cota de mercado, é intuitivo estimar que para um medicamento original com valor de mercado de 100 milhões de euros correspondente a volume de vendas de 1 milhão de embalagens (100€/embalagem), a entrada do respetivo medicamento genérico nesse mercado apresenta um potencial de poupança de 45 milhões de euros (45%)! O impacto dos números é mais impressionante quando se consideram poupanças próximas dos 80 mil milhões de euros a nível global resultante da entrada dos medicamentos genéricos no período que decorre entre 2021 e 2026.

No entanto, a capacitação de centros de desenvolvimento e unidades de fabrico industrial capazes de dar resposta a requisitos tão exigentes traduz-se na necessidade de recursos altamente qualificados e elevados investimentos financeiros.

É essa a razão da escassez a nível mundial destes centros de competências.

A Bluepharma, Indústria Farmacêutica, SA, empresa portuguesa especializada no desenvolvimento, fabrico e comercialização de medicamentos genéricos, reconhecendo estes desafios, resolveu transformá-los em oportunidade, pelo que decidiu realizar um investimento superior a 85 milhões de euros num ambicioso projeto, em estreita cooperação e parceria com duas multinacionais alemãs, tendo por objetivo o desenvolvimento de um portfolio de 20 medicamentos oncológicos genéricos.

Um investimento que vai permitir otimizar as cadeias de fornecimento de medicamentos, aumentar as exportações a partir de Portugal e poupar muito dinheiro ao Estado e às famílias que tenham necessidade destes fármacos.

Vice-presidente da Bluepharma

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