Finlândia e Suécia na NATO

Olhada da Finlândia, a invasão russa da Ucrânia parece tirada a papel químico da sua própria História.

Depois de cerca de um Século de domínio russo, a Finlândia tinha-se tornado independente apenas há 22 anos quando, três meses após o início da Segunda Guerra Mundial, foi invadida pela União Soviética.

Com um grande Exército de 450 mil homens, os soviéticos tinham a expectativa de atingir e ocupar rapidamente a capital, Helsínquia, mas foram surpreendidos pela forte resistência finlandesa e pela falta de preparação das tropas soviéticas, que provocaram fortes perdas ao Exército Vermelho.

As semelhanças param aqui; ou, pelo menos, os ucranianos procuram evitar um desfecho idêntico.

É que, perante a enorme desproporção de meios e a incapacidade de apoio dos outros países europeus, a braços com a sua própria guerra, a Finlândia viu-se obrigada a assinar um tratado de paz em que cedeu parte do seu território à Rússia.

A sua neutralidade, desde então, sustentava-se, em grande parte, no receio de que a aproximação à NATO inflamasse os humores russos. 1300 Km de fronteira comum são uma boa explicação.

No caso da Suécia, a neutralidade remonta ao trauma nacional que resultou da participação nas guerras napoleónicas, em que perdeu o território da Finlândia para o Império Russo, e foi-se tornando num fator cultural e identitário.

Ao mesmo tempo, a estabilidade de que (excluindo a guerra dos Balcãs) a Europa gozou desde o final da Segunda Guerra Mundial - primeiro em função do equilíbrio da Guerra Fria, depois com o realinhamento pós-soviético - parecia indicar que os riscos de uma guerra na Europa eram diminutos.

A própria UE, criada exatamente para assegurar a paz depois da destruição da Europa por duas Guerras Mundiais, era fator determinante nessa equação.

Com tudo isto, até recentemente, a opinião pública de ambos os países era esmagadoramente contra a adesão à NATO.

A invasão da Ucrânia mudou tudo.

Ontem, a Finlândia e a Suécia formalizaram o pedido de adesão à NATO, com forte apoio das suas populações. Percebeu-se que, afinal, a Rússia de Putin pode mesmo invadir um país não-respaldado por uma vasta aliança militar. Há menos de três meses foi a Ucrânia. Quem poderá ser amanhã?

Logo após o desmembramento da União Soviética, dez países do Leste europeu aderiram à NATO. Quem critica o "expansionismo da NATO" parece insinuar que foi a Aliança Atlântica que os invadiu; como se não o tivessem feito pela sua livre e soberana vontade. Por motivos, aliás, bem compreensíveis para quem se manteve submetido ao domínio soviético pela força dos tanques - basta lembrar as invasões da Hungria e da Checoslováquia.

A adesão à NATO era a garantia de que não voltavam a ser peões das vontades de Moscovo.

A guerra de Putin na Ucrânia (como se não tivessem bastado a invasão da Geórgia, em 2008, e da Crimeia, em 2014) veio demonstrar que tinham razão.

Razão agora reconhecida pela Finlândia e pela Suécia.

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