Figura do Dia. A pobre ministra não foi salva por um príncipe

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O espanto deu lugar à impiedade e esta foi dizimada pela indiferença. Já não faz sentido escrever que a ministra da Administração Interna foi incapaz de desempenhar o seu cargo ou mostrarmos surpresa pelo seu pedido de demissão. Na verdade, a ministra já não o era. Foi retirada de cena e fechada numa masmorra de onde não foi salva por príncipes ou dragões. Só a deixaram sair para que fosse ela a colocar o parágrafo, mas a questão foi sempre outra.

Maria Lúcia Amaral é uma distinta professora catedrática de Direito, desempenhou as funções de juíza e vice-presidente do Tribunal Constitucional e fez um brilharete na Provedoria da Justiça. A maioria dos comentadores elogiou a capacidade de Montenegro para convencer uma das melhores portuguesas, esquecendo o pormenor de que muitas das estrelas da sociedade civil foram um desastre quando tiveram responsabilidades governativas.

Maria Lúcia Amaral, ex-ministra da Administração Interna.
Maria Lúcia Amaral, ex-ministra da Administração Interna.Global Imagens

Governar não é o mesmo que liderar um instituto, uma empresa ou ser presidente de um banco. Depende sempre das qualidades de quem se convida. Não quero criticar a pobre ex-ministra, faço-lhe apenas um reparo. Na vida, não podemos perder a noção do que sabemos fazer e do que não conseguimos.

A ex-governante não respeitou esse princípio, o que revelou um lamentável défice de autoconhecimento – como é que alguém que se revelou tão ridiculamente frágil, aceitou ser ministra e logo na pasta da Administração Interna? Não conhecia as suas limitações?

A senhora professora deveria ter sido a primeira a dizer a Luís Montenegro que não era a pessoa certa. Ter-se-ia poupado e teria poupado o país a um espetáculo de nonsense.

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