Eu & Margarida (onde se fala de limões sicilianos, plantas de vidro, cartas de amor)

Uma vez, Eu & Margarida fomos visitar uma fabriqueta de limoncello na Costa Amalfitana, dessas a atirar para os turistas que somos, e quem ali nos recebeu era um português, é óbvio, de Benfica e do Benfica, que falava pelos cotovelos e nos mostrou a coisa toda. Na hora de abrir a cuba onde se maceravam os limões em álcool, os vapores que dali vinham deixaram-nos a ambos os dois, Margarida & Eu, mais para lá de etilizados, e por horas estonteados, episódio de somenos, só íntimo nosso, mas que me veio à lembrança ao ler um encanto de livro chamado The Land Where Lemons Grow, o qual, como o subtítulo indica (The Story of Italy and Its Citrus Fruit), é um périplo por Itália através dos seus citrinos. A autora, Helena Attlee, tem uma profissão daquelas, especialista em jardins italianos, e começa por nos falar dos limões dos Médicis, na Toscânia, cultivados como maravilhas raras que são, sem dúvida.

No século XVI, quando Cosimo de Medici herdou Castello, a quinta de recreio da família nos arredores de Florença, pediu a um dos mais afamados paisagistas do seu tempo, Niccolò dei Pericoli, que aí fizesse um jardim de estrondo, evocativo das Hespérides da Antiguidade clássica, com estátuas hercúleas e um horto de laranjais e limoeiros que maravilhou Montaigne e outros visitantes franceses, que o descreveram como uma "tapeçaria de arvoredo". Uma parte da colecção botânica dos Médicis seria transferida para o parque Boboli, junto ao Palácio Pitti, e, no século XVIII, um dos membros da ilustre dinastia, Pietro Leopoldo, duque da Toscânia, mostrou ser um vero homem das Luzes: a conselho de sua mãe, a imperatriz Maria Teresa da Áustria, decidiu vacinar-se contra a varíola e, do mesmo passo, reuniu uma portentosa colecção de História Natural, que ademais franqueou ao público, em 1775, fazendo do La Specola, na Via Romana, o primeiro museu do mundo acessível a toda a gente, incluindo ao povo comum, ainda que com horário diferenciado para as classes mais notáveis. Além dos instrumentos de Galileu, o La Specola tinha, e tem - que Eu & Margarida lá vimos, até mais do que uma vez -, um acervo assombroso de figuras anatómicas em cera e também, noutro local, na Via La Spira, de espécimes botânicos, também em cera.

A guerra, sempre ela (neste caso a Segunda, de 39-45), afectou tragicamente o jardim dos Médicis em Castello, mas algumas almas bondosas dedicaram décadas de estudo e labor a recuperá-lo, tendo até descoberto, ainda que velhota e muito debilitada, coitada, a jóia suprema da colecção, uma bizarria, sobre a qual chegaram a ser escritos tratados (De malo limonia citrata aurantia vulgo la Bizarria, de Pietro Nati, 1644), e a qual era, ao cabo e ao resto, uma quimera, isto é, o produto de um cruzamento inusitado entre uma laranjeira amarga e uma cidreira (não confundir com sidra nem com erva-cidreira, claro). Em tempos idos, houve bizarrias como aquela em Versalhes, em Potsdam, em Amesterdão, e até Darwin lhe fez referência na Origem das Espécies, mas depois perdeu-se tudo, até que um santo chamado Paolo Galeotti a descobriu e devolveu à vida em Castello, o velho jardim de Cosimo de Medici, o qual, na sua infinda maravilha, tem ainda uma notável colecção de azáleas e uma fantástica Gruta dos Animais.

Laranjas amargas (Citrus aurantium) houve-as em Itália desde tempos remotos, diz-se que desde o ano 70 d.C., trazidas para a Calábria por judeus fugidos de Jerusalém, mas tudo indica que as laranjas doces (Citrus sinensis) surgiram na Europa muito mais tarde e por mão portuguesa, razão pela qual durante séculos foram conhecidas como portogalli ou, noutras paragens, portugals. Em 1640, no ano em que reconquistámos a independência, o Pde. Álvaro Semedo, provincial dos jesuítas na China, escreveu uma carta histórica para Roma, na qual dizia que as laranjas de Cantão eram infinitamente superiores às da Índia, já então vulgares na Europa. Importa, todavia, não misturarmos a fruta: as tangerinas (Citrus reticulata) são originárias da China; os pomelos, também chamados laranjas-natal ou cimbos (Citrus maxima), são provenientes da Malásia e arquipélagos limítrofes; e as cidreiras (Citra medica) vêm de Assam, sopé dos Himalaias. Depois, as coisas embrulham-se numa taxonomia infernal, mas o ponto a reter é que, segundo o japonês Tyôzaburô Tanaka, considerado autoridade suprema nestas matérias, todas as laranjas provêm de Assam e de Burma [Birmânia], onde eram conhecidas como naranga (em língua tâmil, o prefixo nar- significa fragrância).

Se descontarmos os citrinos levados pelos judeus para a Calábria, as laranjas e os limões chegaram a Itália pela mão dos árabes, quando invadiram a Sicília em 831 e logo aí edificaram pomares fresquíssimos, tão belos que dariam azo a um género literário específico, os "poemas de jardim" (rawdiya), nos quais são abundantes as alusões aos citrinos, cujas árvores, segundo os botânicos muçulmanos, deveriam ser preservadas do contacto com mulheres menstruadas, sob pena de perderem a folhagem e perecerem para sempre.

Em 1747, um médico naval escocês investigou a fundo a eficácia dos citrinos, em especial dos limões, no combate ao escorbuto, mas só volvidas quatro décadas é que a Royal Navy aceitou oficialmente o valor da descoberta, passando a obrigar a que as suas embarcações levassem a bordo uma ração abundante dos frutos miraculosos. A marinha britânica abastecia-se em Espanha, mas, em 1798, Nelson conquistou Malta, e, desde então, foi a partir de Malta e da Sicília que os navios britânicos carregavam os seus limões. O resultado foi uma autêntica revolução cítrica na Conca d"Oro siciliana, a qual daria um impulso decisivo à expansão da Máfia, aproveitando o caos político em Palermo, quando o reino bourbónico das Duas Sicílias deu lugar ao domínio da Casa de Sabóia.

Os limões eram vendidos na árvore, cabendo ao comprador colhê-los, sendo frequentes os furtos, pelo que os pobres camponeses da Sicília começaram a pagar a quem lhes protegesse a fruta. Nas propriedades que esportulavam o tributo, os mafiosos colocavam uma cartucheira vazia e um limão fresquinho, sinal de aviso para afastar os intrusos, e, às tantas, a Cosa Nostra dominou o fabuloso negócio dos citrinos, a cuja floração pujante era dado outro nome de origem árabe, zagara. Em 1832, a América revogou as taxas alfandegárias sobre os citrinos italianos e as exportações cresceram em flecha, de cerca de três milhões de toneladas para 19 milhões, em 1857. Em 1860, a produção de limões na Sicília era a mais rendosa de qualquer outra actividade agrícola na Europa, com seis colheitas ao ano, como os limoni invernali, de finais de Setembro-princípios de Março, os maiolini, de Abril-Maio, os verdelli, de Julho e Agosto, os marzani e os bastardoni, do Outono, e os mais preciosos de todos, os que nascem da primeira floração do ano, a primofiore, e amadurecem em finais de Setembro.

Mais preciosa ainda é a cidreira produzida em Diamante (Cedro liscio di Diamante), uma terriola no norte da Calábria, que atinge preços astronómicos em Nova Iorque - 200 dólares a peça! -, por uma razão curiosa, e religiosa: os seguidores do movimento hassídico Chabad Lubavitch, umas das maiores organizações judaicas do mundo, acreditam que Moisés mandou um enviado à Calábria para recolher exemplares da cidreira aí florescente e, por isso, só os frutos de Diamante são considerados dignos de figurar nas celebrações do Sucot, a Festa dos Tabernáculos, que coincide com a estação das colheitas, inícios de Outono.

Causa mais espanto e estranheza que haja alguma esquerda que insista em não perceber a actual guerra, que teime em não entender que, ao contrário do que proclamam, esta luta é mesmo, só é mesmo, um conflito entre o bem e o mal, exactamente como o foi em 39-45.

Limão, portanto, é religião, mas também civilização. Nas imediações de Diamante, na Calábria profunda, Helena Attlee, inglesa especialista em jardins transalpinos, encontrou um americano de meia-idade, bibliotecário de uma universidade judaica, que todos os anos, durante décadas, viajava até ao Mezzogiorno para acompanhar a colheita dos frutos prodigiosos. Deparou também com um russo, que comprava citrinos para as comunidades judaicas de Leste, numa inesperada irmandade com o bibliotecário de Nova Iorque. Se olharmos para os cruzamentos de povos e civilizações que os limões geraram - chineses e indianos, padres e navegadores portugueses, árabes amantes de jardins, marinheiros ingleses e um cientista escocês, mafiosos sicilianos, duques e príncipes da Toscânia, judeus de Brooklyn e Odessa - apercebemo-nos, de facto, do seu poder civilizador, unificador, congregador de espíritos e boas vontades (não por acaso, os ditadores, na sua maioria, nunca foram bons garfos: Hitler era uma miséria de boca, Salazar também um pisco, Estaline uma besta que matava os convidados, Musolini uma desgraça, tendo proclamado que fascista que se prezasse não deveria passar mais de dez minutos à mesa, como nos conta John Dickie noutro livro fabuloso, Delizia! The epic history of Italians and their food).

Falando em civilização, Eu & Margarida estivemos há um par de semanas noutro lugar supremo, o Museu de História Natural da Universidade de Harvard, onde fomos recebidos, não já por um português benfiquista, mas por uma senhora distinta que nos mostrou a pérola dos seus acervos, a Ware Collection de plantas de vidro. A sua génese é, também ela, um prodígio de civilização e de encontro de vontades: desde há várias gerações que a família Blaschka, da Boémia, produzia deslumbrantes objectos em vidro - copos, garrafas, taças, bijuteria, adornos, bibelôs variados. Leopold, o patriarca, além de vidraceiro, era lapidador de diamantes, ourives e joalheiro e, um dia, em 1853, viajou até aos Estados Unidos, fazendo uma paragem de repouso de duas semanas nos Açores. E aí, nas nossas ilhas, ficou extasiado com as caravelas portuguesas e com outros invertebrados marinhos, que, com o seu talento, desenhou ao pormenor milimétrico. A transparência desses animais deu-lhe a ideia de os reproduzir em vidro, sem falhar um ínfimo detalhe, tarefa que, como se calcula, está nas raias da insanidade. Mas Leopold e o seu filho Rudolf, com infinita paciência e não menor talento, lá fizeram os bichos em cristal puríssimo, deixando boquiabertos todos quantos os viram, pela perfeição das formas, pelo rigor absoluto dos pormenores microscópicos, pela beleza etérea e translúcida daquilo que Rudolf Blaschka definiu um dia, e muito bem, como "arte científica" (ou "ciência artística"), tal qual os belíssimos modelos anatómicos em cera saídos da officina di ceroplastica do Museu La Specola (e doutros museus, inclusive cá, lembremos os aterradores rostos da sífilis que hoje podemos ver no Museu da Saúde, ao Hospital dos Capuchos).

George Lincoln Goodale, o fundador e primeiro director do Museu Botânico de Harvard, teve a bela ideia de encomendar aos Blaschka, imagine-se, reproduções em vidro das espécies botânicas do seu espólio, pois, ao contrário dos animais, as plantas não são passíveis de taxidermia e empalhamento, como é óbvio, e os métodos tradicionais de exposição - herbários com plantas secas e prensadas - retiram a cor e a alegria, a naturalidade e o viço às flores e demais espécies vegetais. Além de mostrarem plantas mortas e ressequidas, os herbários exibem-nas apenas a duas dimensões; muito longe, portanto, do que elas são na realidade, na frondosa realidade da Mãe-Natureza. Graças à benemerência imensa de uma viúva culta, Elizabeth Ware, prosseguida por sua filha, foi possível financiar aquele trabalho inaudito: os Blaschka deixaram todas as outras tarefas e encomendas que tinham entre mãos e dedicaram-se a tempo inteiro a fabricar qualquer coisa como 4300 modelos em vidro, correspondentes a 780 espécies de plantas, fungos e algas. O ano mais produtivo foi 1891, quando conceberam nada menos do que 731 modelos, compreendendo 124 plantas, e cerca de 70% da colecção foi feita antes de Leopold falecer, em Julho de 1895. Rudolf, o filho, continuou o labor, trabalhando sozinho durante 40 anos. Morreu em Maio de 1939, tendo deixado ainda alguns modelos inacabados na sua mesa de trabalho. Depois de concluídas, as plantas em vidro eram embrulhadas com mil cuidados e enviadas por navio da Alemanha até à América, onde as alfândegas tinham instruções precisas para tratar a mercadoria com máximo desvelo (um primeiro envio fora desastradamente despedaçado por um funcionário mais fuinha do porto de Nova Iorque...). Se não a conhecem in situ, imploro que a visitem na Internet, pois a Colecção Ware é de estarrecer: as plantas parecem vivas, nem acreditamos que tenham sido feitas por um ser humano, tal a precisão dos detalhes microscópicos, a graça e a leveza das cores, a delicadeza dos reticulados fractais. Açores, Boémia, Alemanha, Boston, mais um exemplo de civilização, da luminosa confluência de vontades e culturas.

Há dias, a Reuters publicou uma reportagem longa e esmagadora, disponível online. Durante três semanas, os jornalistas daquela agência noticiosa vasculharam os escombros de Bucha e entrevistaram dezenas de testemunhas dos massacres aí ocorridos, num trabalho que é, ele próprio, um sinal de civilização, pelo que representa de qualidade extrema dos grandes profissionais da imprensa, de liberdade e imparcialidade jornalísticas, da excelência de meios informativos dotados de tempo e recursos para fazer o que melhor lhes compete: investigar e noticiar a verdade. Testemunhais e documentais, as provas que a Reuters descobriu são arrasadoras e não deixam qualquer dúvida de que os massacres perpetrados em Bucha foram da autoria dos Exércitos de Putin. Ainda assim, e com impecável sentido deontológico, mesmo perante uma tal avalancha de factos e de depoimentos, a Reuters tem o escrúpulo de dizer, tão-só, que "tudo aponta" para a Rússia, não mais. Entre os papéis encontrados no meio dos destroços e dos cadáveres insepultos, com as mãos amarradas e indícios inequívocos de bruta tortura, os repórteres encontraram, imagine-se, uma carta de amor. Foi enviada pela namorada de Alejsandr Logvinenko, que a Reuters identificou como soldado da Unidade 74268 da 76.ª Divisão de Páraquedistas de Guarda, estacionada em Pskov. Na carta, a namorada de Alejsandr pergunta-lhe como estão as coisas na frente de combate, faz-lhe juras de amor, louva-o por estar ao serviço da Pátria, a velar pela segurança do povo russo. "Estou orgulhosa de ti!", termina ela, deixando no final da missiva a marca dos seus lábios, em bâton vermelho. Ao proclamar o seu orgulho pelo namorado, talvez a jovem não saiba o que Alejsandr e os seus camaradas fizeram em Bucha. Entre as fotografias dos cadáveres baleados, o que mais impressiona são as mãos e os dedos, distorcidos, amarelecidos, em contraste com o rosado do resto do corpo - em resultado, possivelmente, de as vítimas estarem com os pulsos atados, garrotadas longas horas, sem afluxo de sangue.

Há dias, Eu & Margarida falámos en passant, não muito, da guerra em curso, prevista para longos meses, talvez anos de desgraça imunda. Guerra que também é nossa, pois o que ali se defende é a civilização dos limões da Sicília ou das vítreas plantas de Harvard. Vladimir Putin, insistamos sempre, odeia a liberdade e a democracia, as minorias de toda a espécie, políticas e sexuais, é homofóbico, machista, racista e fascista, inimigo da sã separação entre a Igreja e o Estado - e, por tudo isso, ainda causa mais espanto e estranheza que haja alguma esquerda que insista em não perceber a actual guerra, que teime em não entender que, ao contrário do que proclamam, esta luta é mesmo, só é mesmo, um conflito entre o bem e o mal, exactamente como o foi em 39-45, cujo Dia da Vitória há pouco foi celebrado. Dizer que a guerra da Ucrânia é entre o bem e o mal não significa que de um lado estejam só bons e do outro apenas terríveis, que os soldados ucranianos sejam uns amores e que os russos, todos eles, sejam uns facínoras. Significa, isso sim, perceber que há um bem chamado liberdade, democracia, tolerância, e que vale a pena lutar por esse bem maior. Na guerra de 1939-45, ao combater ao lado dos Aliados (esquecido o Pacto com Ribbentrop...), Estaline, um homem mau, péssimo, um ditador sanguinário, esteve do lado do bem, lutou contra o mal hitleriano, e as barbaridades imensas das tropas soviéticas, com morticínios e violações em massa das mulheres alemãs, não lhes retiram o fulcral papel que tiveram na derrota do abominável Reich (um papel decisivo, mas não exclusivo, ao contrário do que a propaganda de Moscovo pretende fazer passar). Quando contei à Margarida que em Portugal havia gente que fazia acrobacias e espargatas em defesa de Putin, ela ficou incrédula, nem queria acreditar. "Coitados, que tristes...", rematou, na compaixão que é própria dos seus 18, quase 19 anos. É de facto uma tristeza, digna de dó e pena, ver indivíduos que temos por informados, até cordiais de trato, serem obrigados a esbracejar como náufragos e a retorcer-se como minhocas para defenderem o indefensável, contra provas gritantes e factos incontroversos, como os que a equipa da Reuters recolheu em Bucha (não faltará quem diga que os repórteres da Reuters foram manipulados e aldrabados pelos "nazis" ucranianos, como se eles não fossem jornalistas experientes e independentes, ou, pior ainda, quem afirme que a Reuters é uma agência de propaganda da NATO e dos vis interesses do capital, como já o disseram da BBC). O mais triste de tudo é que, como sempre sucedeu ao longo dos últimos 100 anos, desde os julgamentos de Moscovo às vítimas do Gulag, passando pelas revoltas de Budapeste ou de Praga, os negacionistas de Putin sabem que estão a mentir, a iludir a verdade, a lançar manobras de diversão, argumentos laterais e cortinas de fumo em torno de micro-casos (ex. Mário Machado em Kiev; promessa de não-alargamento da NATO; a Síria e o Kosovo; os nazis do Batalhão Azov, entre outros exemplos de má-fé e whataboutismo, uma velha técnica da URSS: sempre que se falava da Sibéria, desviavam para o racismo no Mississípi). Quem mente, e mente tão descaradamente, fá-lo em nome daquilo que, no seu fraco entendimento, julga ser uma verdade maior, a verdade de um "ideal" generoso em teoria, fraterno só no papel. Caso para dizer que um "ideal" que tudo legitima e justifica, inclusive a mentira, a morte e a tortura, não é ideal nenhum, é crença sanguinária e sectária, igual à de todos os demais fundamentalismos. Aqui, pour une fois, Margarida & Eu divergimos: para ela, sempre bondosa, os que assim pensam não passam de pobres coitados, dignos de pena e de lástima; para mim, são vermes morais, não mais

Historiador.
Escreve de acordo com a antiga ortografia

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