O Amazonas voa até ao Guadiana

Havia a vaca leiteira, a vaca leitora (belo livro para crianças), a vaca louca, a vaca sagrada, a vaca que ri e agora há a vaca voadora. Lá estava ela a dar às asas ontem, nas mãos de Maria Manuel Leitão Marques e perante o sorriso aberto de António Costa, que lha ofereceu na apresentação do regresso do Simplex. Se uma vaca pode voar, o Estado pode ser mais leve também. Se houvesse um brinquedo daqueles por cada hora que cada português perdeu em andanças burocráticas, o espaço aéreo ficava seriamente ameaçado. A lista de 255 medidas ontem anunciada abrange tantos aspetos da vida quotidiana de pessoas e empresas que apetece simplesmente agradecer a iniciativa que traz para as nossas mãos, sem horários nem filas, os balcões-obstáculos que tanto nos desesperaram e tanto dinheiro e tempo deixaram escorrer sem qualquer utilidade. A tecnologia posta ao serviço dos cidadãos, eis a questão. Se todos usamos o e-mail, a internet, o Facebook, por que não havia de ser assim? Depois de ler as explicações detalhadas que o DN tem hoje sobre o assunto, avancemos até às páginas de Artes para encontrar um outro espantoso voo, desta vez para lá do Guadiana. Na bela cidade de Serpa, neste fim de semana há ópera, um espetáculo do Festival Terras sem Sombra. O Coro do São Carlos, o Coro Juvenil do Instituto Gregoriano e a Orquestra Sinfónica Portuguesa juntam-se para representar Onheama. De origem brasileira, onde se estreou há dois anos, a ópera foi adaptada às cores e aos materiais alentejanos, numa produção que envolveu as pessoas da terra: "Toda a gente já ouviu falar da ópera, todos se ofereceram para ajudar." O compositor João Guilherme Ripper está encantado por ouvir a sua obra "num outro português", que dá ao texto "outra cor e sonoridade". "Está lindo, lindo", repete. Como se os mitos do Amazonas, onde a trama original se passa, tivessem viajado até ao Guadiana. Vacas voadoras, afinal.

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