A nova vida da TAP

Como muitos anteciparam que aconteceria, as coisas mudaram mesmo na TAP, desde que deixou de ser gerida pelo Estado. No entanto, tirando o desgosto de já não ver partir do Porto tantos voos, as diferenças que vemos um ano depois de a companhia passar para as mãos de privados não deixam pintar o quadro negro que tantos anteciparam como certo. Nestes meses, foram encomendados novos aviões, anunciadas novas rotas - com particular foco no aumento da oferta de e para os Estados Unidos -, atingidos novos recordes de passageiros. Até os trabalhadores estão contentes: ao fim de seis anos de salários congelados, vão ter aumentos e com retroativos a janeiro deste ano. E se os resultados ainda não chegaram a terreno positivo, os prejuízos foram já consideravelmente reduzidos - de cem para 28 milhões de euros no primeiro semestre do ano -, e é bem natural que nos seis meses que incluem verão, Natal e fim de ano se consiga finalmente atingir os lucros na companhia de bandeira. O que significa que estamos a ponto de viver um momento histórico: a TAP pode começar a dar dinheiro ao Estado. Claro que ainda há problemas, há uma dívida para pagar, há um processo de recapitalização em curso, há custos acrescidos com as novas aeronaves que vão chegar nos próximos anos. Mas mais dia menos dia chegaremos lá. Porém, tudo isto está dependente de dois fatores importantes. Em primeiro lugar, que o processo de privatização se encerre sem mais solavancos - o que, incrivelmente, não só ainda não aconteceu como, mais espantoso ainda, o regulador ainda está a analisar os pressupostos do negócio que previa que 61% da companhia ficasse nas mãos de Pedrosa e Neeleman. Em segundo, que a reconfiguração acionista salomónica que o governo socialista negociou - 50% para cada lado tem sempre riscos associados - não resulte na tentação de interferir numa gestão que está, aparentemente, no caminho certo.

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