E agora Presidente eleito! Como vai ser?

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Três milhões, quatrocentos e oitenta e dois mil, quatrocentos e oitenta e um portugueses e portuguesas entregaram o voto a António José Seguro. Em cada um deles há associada uma expectativa, um problema, uma ansiedade, um desejo, uma esperança, um sonho, um objetivo a realizar e a carecer de apoio. E então, Presidente eleito, como vai responder à confiança que dois terços de portugueses lhe entregaram? Na lógica da exigência que prometeu, mantendo a estabilidade e a cooperação institucional com o Governo, o que vai fazer e como vai fazer, se não surgirem os resultados?

Não queremos ser pessimistas não é! Mas, metendo a mão na consciência, acha mesmo que este Governo está em condições operacionais de responder e agir com destreza e com resultados positivos? Montenegro parece adormecido!

Lembrei-me agora dos comboios e da CP, essa empresa pública-cancro nacional que há décadas nos rói o Orçamento de Estado. Estava você ainda a tratar da sua vida privada, quando Pedro Nuno Santos resolveu comprar, em novembro de 2023, 117 comboios espanhóis. E tanto que nós precisamos deles! Mas a compra foi feita de tal modo e tão disparatada, que acabou tudo em tribunal entre as empresas Stadler e a espanhola CAF. Uma operação (?) que nos fez perder 191 milhões de euros de ajudas europeias que eram a fundo perdido. Os comboios deviam chegar até 2030, mas agora sabe-se lá!

Bom, e o tempo vai passando. Um destes dias para a chuva que, até agora, já nos terá causado um rombo no PIB (cerca de 0,5%, dizem) e depois da primavera, pela qual ansiamos, vem o verão e com ele os incêndios. Como vai ser Presidente eleito? Vamos ter aviões no ar, que nos custam rios de dinheiro à hora, ou vamos fazer prevenção? É assim tão difícil prevenir? Está tudo nos livros! Limpar as matas, fazer faixas de contenção à volta das aldeias, das cidades e das infraestruturas, aumentar as áreas de pastagens e agrícolas, montar torres de vigilância, câmaras e sensores que detetem o fogo, plantar mais sobro, carvalho e azinho, cortando no eucalipto e dando um pontapé no lobby das celuloses e, claro, reestruturar todo o sistema de combate a incêndios com a criação de um comando único.

Depois, Presidente eleito, há os jovens. São o futuro do país, não é? Entre 2012 e 2021 emigraram 194 mil jovens licenciados e 40% dos que, hoje, acabam a faculdade só pensam em ir lá para fora. Perdemos o melhor que temos, não é? E os professores? Onde vamos arranjar 20.000 novos professores, até 2030, para substituírem os que se vão reformar?

Ó Presidente eleito, fale lá com o Monenegro, que eu tenho ideia de que ele não anda bem! O homem parece perdido! Quem sabe, talvez uma remodelação governamental ajudasse. Depois da demissão na Administração Interna, talvez sangue novo na Saúde, no Trabalho, na Justiça e na Modernização Administrativa animasse a malta!.

Uma coisa é certa. Os três milhões, quatrocentos e oitenta e dois mil, quatrocentos e oitenta e um portugueses e portuguesas que votaram em si vão querer cobrar esse voto. Não há almoços grátis, Presidente eleito. Se tudo continuar na mesma, parte considerável da responsabilidade vai ser sua. E o Chega lá estará à espreita, como sempre, qual ave de rapina, que se aproveita dos restos e, com eles, vai crescendo.

Jornalista

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