Divórcio e férias de Natal

A criança passa a noite de Natal com um progenitor e o dia de Natal com o outro? E trocam no fim de ano? Ou passa o Natal com um e o Ano Novo com o outro? E quando se fazem as transições? A que horas?

Estas e muitas outras perguntas precisam de respostas claras, se queremos que as férias de Natal das crianças que têm os pais separados sejam tranquilas e positivas.

Cada família é única e tem as suas dinâmicas muito próprias, pelo que a forma como a criança partilha o tempo com todos os elementos do sistema familiar deve ter em conta essa mesma especificidade. Há famílias que valorizam muito a noite de Natal, atribuindo menor importância aos restantes dias festivos. Outras têm avós, tios ou primos que vivem muito longe, pelo que as comemorações implicam necessariamente longas horas de viagem. Outras, ainda, gostam de passar o ano em locais diferentes e distantes, se possível fora do país.

Neste contexto, o tempo que a criança passa com cada um dos progenitores deve ter em conta, não apenas a sua idade e nível de desenvolvimento, como também os hábitos e rituais de cada agregado familiar.

Por norma, divide-se o Natal em noite de Natal/dia de Natal e o fim de ano em noite de fim de ano/dia de Ano Novo, alternando depois no ano seguinte. No entanto, este tipo de partilha de tempos apenas fará sentido se todos viverem relativamente perto, sob pena de a criança passar a maior parte do tempo dentro de um carro, em viagem. Assim, em muitas outras situações o tempo é dividido em blocos, e a criança passa o Natal com um progenitor e o Ano Novo com o outro.

Mas as férias de Natal são mais do que duas noites e dois dias, pelo que importa também decidir com quem deve estar no tempo restante. A divisão de uma semana com cada um dos progenitores é bastante frequente, mas apenas deve ser equacionada com crianças mais velhas, já perto da idade escolar. Tendo em conta que os bebés e as crianças mais novas são mais imaturas do ponto de vista cognitivo e, por isso mesmo, não têm a mesma noção de tempo dos adultos, as transições devem ser mais frequentes, ou seja, não devem passar mais do que 3 ou 4 dias sem conviver com o outro progenitor. E, caso isso aconteça, os contactos não presenciais através de videochamada devem ser reforçados, permitindo à criança uma interação muito mais rica com o progenitor que está ausente.
Seja qual for a situação particular de cada família, há uma regra que se aplica a todas. É necessário bom senso e centração nos interesses e no bem estar da criança, mais do que nos interesses dos pais.

A criança não deve ser entrincheirada nas guerras parentais e ser exposta aos conflitos e aos insultos, porque um se atrasou 10 minutos ou porque o outro é isto e aquilo. Peço aos pais divorciados que se questionem. São estas as memórias que querem deixar ao vosso filho? Serão estes os Natais que desejam que ele recorde?


Psicóloga clínica e forense, terapeuta familiar e de casal

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