Como podem os pais evitar que os filhos tenham de emigrar?

É sempre doloroso para um pai e para uma mãe ver partir o filho para o estrangeiro. Por isso esta é uma pergunta que todas as mães e todos pais se colocam: que fazer para evitar esta situação? A resposta tradicional consistia em procurar providenciar uma boa educação familiar e uma instrução o mais longa possível. Antes do 25 de Abril, nos anos 60 e início dos anos 70, a instrução pública não estava disponível e os país que não conseguiam enviar os filhos à escola por tempo suficiente viam-nos partir rumo à Alemanha, à França, à Suíça e a tantos outros lugares. Esses filhos rejeitados pela pátria construíam os bairros de lata pela Europa fora, até o Estados sociais lhes providenciarem habitação social.

Hoje, contudo, essa resposta já não funciona. A instrução já não garante aos pais a permanência dos filhos na nossa terra. Como sabemos um licenciado ou mesmo um jovem com um mestrado ganha em Portugal menos do que o salário mínimo em muitos países europeus. Recorde-se que, de acordo com o Eurostat, em paridade de poder de compra os salários portugueses são os segundos mais baixos da Europa, só atrás da Bulgária. Acresce que em Portugal é difícil encontrar habitação ao alcance dos ordenados da maioria jovens licenciados ou detentores de mestrado a não ser em dormitórios/periferias cada vez mais distantes. É a geração que está a viver pior que a geração anterior.

Os anos de estudo revelaram-se uma armadilha improdutiva que não permitem a quem os seguiu manter-se em Portugal. Se quiser viver melhor a solução é emigrar mesmo que no país de destino obtenha um emprego em que não ponha em prática os seus estudos superiores.

Que podem, então os pais fazer para verdadeiramente ajudarem os filhos a manter-se em Portugal, na sua terra natal e não terem de emigrar, com todas as dificuldades e amarguras que esse processo implica para todos os envolvidos?

A resposta está, obviamente, na elevação dos níveis salariais e na redução da precariedade, que são os fatores que mais forçam a emigração. Mas como conseguir esse desiderato? Que pode uma Mãe ou um Pai fazer para mudar essas condições estruturais da economia portuguesa? Trabalhar mais? Mais horas pelo mesmo ordenado? Certamente que não, os portugueses são já um dos povos que mais horas trabalha na Europa. E os povos que menos horas trabalham, os holandeses, são dos que maiores ordenados auferem. Esperar que o patronato suba os salários? Tal não tem vindo a acontecer. A percentagem dos salários no rendimento nacional tem vindo a diminuir e é das mais baixas da Europa, demonstrando que os empresários facilmente se apropriam dos aumentos de produtividade. Que resta então?

Estranhamente a melhor solução para as Mães e os Pais que pretendem evitar que os filhos tenham de emigrar é a de se sindicalizarem? Como? Repita lá. Sindicalizar-se. Tornar-se membro ativo de um sindicato, pagar quotas, distribuir panfletos, eleger delegados sindicais no seu local de trabalho, fazer greve, ir às manifestações, exigir um contrato coletivo e a redução da precariedade. Por esta via será possível elevar os salários portugueses e com eles a atratividade do mercado de trabalho para os jovens.

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