Cabrita. Um passageiro todo poderoso

"Sou o passageiro", disse o ministro Eduardo Cabrita. Se fosse o seu camarada socialista Jorge Coelho, diria "demito-me". Foi o que Coelho fez, há 20 anos, perante a queda da ponte de Entre-os-Rios, situação na qual nem passageiro era.

As declarações do ministro da Administração Interna, a propósito do acidente que provocou uma morte, são uma forma de se desresponsabilizar e revelam falta de ética política. Traduzem uma atitude condenável, deixando a culpa e a pena nas costas do motorista. E para a sociedade, em geral, transmitem uma enorme sensação de impunidade.

O motorista do carro que conduzia Eduardo Cabrita foi acusado de homicídio por negligência e foram ainda imputadas duas contraordenações: violação das regras de velocidade e circulação previstas no Código da Estrada e com inobservância das precauções exigidas pela prudência e cuidados impostos por aquelas regras de condução".

Resposta de Cabrita: "É o Estado de direito a funcionar".

Um motorista cumpre ordens e um governante dá ordens. E, além disso, não se trata de um ministro qualquer, mas sim da autoridade máxima de segurança no país. Perante o que aconteceu ontem, o primeiro-ministro deveria dizer algo sobre o assunto e tirar as devidas consequências. Aliás, António Costa, de novo candidato a primeiro-ministro, já deve estar arrependido de não ter feito, em tempo oportuno, a remodelação governamental há muito exigida pela oposição, até porque em breve vai fazer campanha eleitoral e disputar eleições legislativas com esta carga a reboque.

Eduardo Cabrita pode penalizar Costa e o próprio PS. Cabrita não tem condições de integrar as listas de deputados às eleições, muito menos terá condições de voltar a integrar um governo. Se Costa escolher, de novo, o amigo Cabrita adivinha-se que a oposição usará essa carga como munição de arma de arremesso político. E Costa não precisa disso.

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