8 de Fevereiro: o teste

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Nos anos 80 do século passado a direita andava muito em baixo em Portugal e na Europa. Mas era forte no mundo anglo-saxónico, com Thatcher e Reagan. Essa direita anglo-americana era liberal na economia - “mais mercado, menos Estado” -, conservadora nos valores de vida e família - contra o aborto e a eutanásia - e, sobretudo, em tempo da Guerra Fria, activamente anti-comunista, ou seja, anti- Soviética.

E foi-o com sucesso, levando a uma coisa que ninguém achava possível - ao fim, por implosão, da URSS. Ora a União Soviética e a China comunista (que, por razões nacionais, entrara em choque com Moscovo durante o maoismo) queriam impôr o internacionalismo socialista, uma forma de globalismo, em que as nações desapareciam. Era a utopia comunista da Humanidade reunida num Estado único, sem Deus, sem Pátria, sem Família, sem Propriedade e governado pelo comunismo universal.

Liquidada esta utopia policial de partido único, entre os vencedores da Guerra Fria apareceu a tentação contrária, ou melhor, de sinal contrário: implantar urbi et orbi o modelo democrático-liberal e capitalista. Um globalismo de outro sinal em que as nações, mesmo que continuando formalmente, ficariam submetidas a uma oligarquia mundialista, com a Economia a mandar na Política.

Foi nesse sentido que se acelerou a desindustrialização da Europa e dos Estados Unidos, deslocalizando-se indústrias para a Ásia e América Latina, onde a mão de obra era mais barata, com o correspondente empobrecimento das classes trabalhadoras da EuroAmérica e a penalização das classes médias. E também se fizeram guerras, dos Balcãs ao Médio Oriente, e se procurou, na União Europeia, a partir da Comissão e do Parlamento Europeu, substituir a soberania nacional pelos poderes de Bruxelas e impor como “novos Direitos Humanos” uma ideologia experimentalista e hedonista.

Tudo isto feito no interesse, directo ou indirecto, dos super-ricos e de uma tecnoburocracia governante e veiculado como “apolítico” por uma comunicação social servil, lembrando os Alfas e os Betas-A do Brave New World de Aldous Huxley.

O mundo que resultou disto é o mundo idealizado pela oligarquia de Davos; um mundo sem política, ou onde a Economia comanda a Política, a partir de uma utopia científico-tecnocrática à Augusto Comte.

Daqui, como resistência a este projecto, se enraizou uma nova direita, que tem como referência outros valores de orientação: o nacionalismo, contra o federalismo de Bruxelas e o globalismo mundialista; a defesa da vida, contra a eutanásia e o aborto. Também mudaram nestas direitas as posições pró-mercado mais radicais dos anos 80, quando havia o estatismo totalitário da URSS e sindicatos poderosos na América e no Reino Unido que chantageavam o Estado. As novas direitas são agora pela regulação e pela justiça social, defendendo, perante o laxismo migratório, a identidade da comunidade nacional com raízes históricas.

Esta é a direita que está em jogo. A Direita patriótica, popular e conservadora que os seus inimigos procuram caricaturar como nazi-fascista e anti-democrática ou como feita por “populistas oportunistas” e eleita nas urnas por “atrasados mentais”.

No próximo domingo, 8 de Fevereiro, na eleição presidencial portuguesa, esta direita, a direita que ficou depois da “grande migração” das personalidades “não-socialistas”, vai a teste. E é importante, considerando o que está em jogo, que tenha um bom resultado.

Politólogo e escritor

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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