Quando o desmaio é sinal de problemas cardíacos

Em Maio, Mês do Coração, é uma boa altura para lembrar que devemos estar sempre alerta. Embora o desmaio - que em termos médicos designamos de síncope - possa ser um acontecimento esporádico e aparentemente inofensivo, deve ser sempre devidamente avaliado, uma vez que tem várias causas, sendo algumas potencialmente malignas. Pode ocorrer com relativa frequência, com impacto negativo na qualidade de vida da pessoa - e poderá ser um sinal de problema cardíaco. A rapidez de atuação é fundamental para que se possa determinar desde logo a causa do desmaio e recomendar o tratamento mais eficaz.

Como sabemos, um desmaio é caracterizado por uma perda temporária de consciência, que também está aliado a uma perda na postura. Logo, quando um doente sofre um desmaio, cai e perde o controlo do seu corpo.

A síncope pode acontecer de forma súbita, mas mais frequentemente existem sintomas prévios como a visão turva, a náusea, a palidez, calor, suor e sensação de tontura. O doente com síncope muitas vezes tem tempo apenas de se sentar, antes que o desmaio aconteça efetivamente. A síncope súbita é habitualmente mais grave, por poder ter causa cardíaca e frequentemente se associar a traumatismos.

A recuperação da síncope é espontânea e o doente rapidamente recupera a consciência, depois de passar alguns segundos até poucos minutos desmaiado. A razão pela qual o doente tem síncope tem a ver com a diminuição rápida do fluxo de sangue que sai do coração em direção ao cérebro, seja por um problema cardíaco ou por uma baixa súbita de pressão.

Se um doente desmaia frequentemente, necessita de consultar um médico com experiência para fazer uma série de exames, com o objetivo de diagnosticar a causa que provoca este problema de saúde. Existem diferentes causas que causam desmaios e frequentemente são benignas, mas por vezes têm na sua base problemas cardíacos graves.

Na síncope reflexa (também chamada de vasovagal), o doente desmaia em consequência de uma rápida baixa de pressão e/ou da frequência cardíaca, surge frequentemente na decorrência de uma forte resposta emocional, dor intensa, pânico - ou por estar de pé durante muito tempo. Alguns doentes têm síncope só de verem sangue e isso acontece não raramente quando são submetidos a análises sanguíneas.

Já a síncope situacional é aquela que acontece, por exemplo, depois de uma pessoa realizar um exercício físico muito intenso, quando está a recuperar, parado em pé, como também pode acontecer quando está a urinar, tossir, rir e espirrar, sendo que todos estes estímulos podem provocar quedas súbitas e intensas da pressão arterial.

A síncope de causa cardíaca, apesar de ser muito mais rara, tem sempre de ser despistada pois se a causa não for tratada, o doente poderá ter morte súbita no futuro. Habitualmente, o doente ou não tem sintomas prévios, ou se os tiver são uma dor torácica intensa ou palpitações rápidas (sensação anormal de batimento cardíaco).

Relativamente ao tratamento, vai depender da causa do desmaio. Se a pessoa desmaiou depois de tirar sangue ou de sentir uma emoção muito forte, como o pânico, devemos hidratá-la e mantê-la deitada por alguns instantes para que o seu corpo se restabeleça sozinho. A boa hidratação, evitar parar um esforço de repente e não estar em ambientes muito quentes quando se está em pé sem se mover, são fundamentais.

Caso a síncope seja cardíaca deve consultar um médico especialista o mais rapidamente possível. A rapidez de atuação é fundamental para que se possa determinar a causa e recomendar o tratamento mais eficaz. As características clínicas do desmaio e a realização de uma simples eletrocardiograma são fundamentais na abordagem inicial de um doente com síncope.

É frequente, em todo o mundo, existir confusão entre epilepsia e síncope, que são completamente diferentes e têm um tratamento também diverso, pelo que um diagnóstico específico é fundamental.

Deverá sempre recorrer a médicos com experiência, num centro diferenciado, que rapidamente fazem o diagnóstico da causa da síncope através de uma avaliação detalhada, com a necessidade eventual de exames complementares de diagnóstico como o teste de tilt, que confirma a síncope reflexa e o ajuda a reconhecer os sintomas para poder evitar uma repetição do desmaio.

Consulte sempre o seu médico e evite problemas maiores.


Cardiologista do Centro do Coração da CUF Porto

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