Peter Mandelson, figura maior da diplomacia britânica, foi ontem libertado sob fiança. A teia Epstein continua a fazer vítimas, mas também a revelar o mais profundo do que, em nós, é um sórdido abismo.Vamos sabendo das festas, dos “bacanais”, do tráfico de adolescentes, da rede de influentes e milionários, das trocas de e-mails e de favores, do que diziam uns aos outros. Não dá para tapar os olhos ou fechar os ouvidos.As notícias oferecem-nos um retrato de uma corte onde tudo se traficava…a começar pela alma que, quando se vende, parece sempre ser uma brincadeira, uma reunião de amigos, uma prova de degustação.Lemos os ficheiros de Mefistófeles e é uma sequela de Squid Game, um inferno sem redenção possível..Mas desculpem-me a pergunta: todas aquelas pessoas são o mal ou muitos de nós poderíamos lá estar, se as circunstâncias o tivessem proporcionado? Teria o monstro o dom de reconhecer os perversos ou oferecia o que um largo número de homens deseja sem o poder confessar?Terríveis, perguntam, mas quando vemos, um pouco por todo o lado, casas de prostitutas cheias de gente que paga pelo corpo que os serve, não será essa uma prova de que a luxúria é um vício humano?Epstein era um crápula que usava a informação para criar e multiplicar teias de poder e influência. Sabia que o que acontecia ali, ficava ali.Nos que vivem dentro de bolhas, nunca há culpa. E quando a culpa ameaça sair da toca há sempre o antídoto sob a forma de um cheque a uma associação de beneficência.