Warren acusa Bernie: "Disse que uma mulher não consegue vencer as eleições"

Uma conversa privada entre os dois candidatos saltou para a praça pública com Elizabeth Warren a garantir que Bernie Sanders lhe disse que uma mulher não consegue ganhar as presidenciais. O senador Vermont nega ter feito o comentário. "É ridículo e falso" diz.

A guerra está instalada entre dois dos principais candidatos do Partido Democrata que disputam a nomeação para as eleições presidenciais dos Estados Unidos. A senadora Elizabeth Warren acusou publicamente Bernie Sanders, também senador, de dizer durante uma reunião privada entre ambos, em dezembro de 2018, que considerava que uma mulher não conseguia vencer as eleições presidenciais americanas.

"Entre os tópicos que surgiram na conversa estava o que aconteceria se os democratas indicassem uma candidata", disse Warren sobre o encontro com Sanders, num comunicado à imprensa na noite de segunda-feira. "Disse que pensava que uma mulher podia vencer, ele discordou", concretizou Warren.

A acusação, que Sanders já tinha negado em resposta a uma reportagem da CNN, criou um fosso entre os dois democratas e fez crescer significativamente o interesse para o debate organizado pela CNN e pelo Des Moines Register nesta terça-feira à noite. Será o último antes de os eleitores votarem pela primeira vez, no Iowa, na temporada eleitoral de primárias do próximo mês. O conselheiro de Sanders, Jeff Weaver, sugeriu numa entrevista à CNN que Warren tinha interpretado mal a conversa com Sanders.

A CNN recorda que antes já tinha obtido a mesma resposta de quatro fontes diferentes: todas disseram que, durante a reunião de 2018, Sanders disse a Warren que não acreditava que uma mulher pudesse vencer.

O senador de Vermont tinha manifestado a sua frustração com a política de identidade de género, o que via como um foco crescente entre os democratas. De acordo com uma das pessoas conhecedoras da conversa, segundo a CNN, Warren disse a Sanders que discordava da sua avaliação de que uma mulher não poderia vencer.

Sanders negou a descrição da reunião num comunicado enviado à CNN, afirmando. "É ridículo acreditar que, na mesma reunião em que Elizabeth Warren disse que iria concorrer à presidência, eu diria que uma mulher não poderia vencer."

"É triste que, três semanas antes da votação de Iowa e um ano depois dessa conversa particular, os funcionários que não estavam na sala estejam a mentir sobre o que aconteceu. O que eu disse naquela noite foi que Donald Trump é sexista, racista e um mentiroso", disse Sanders. "Acredito que uma mulher pode vencer em 2020? Claro! Afinal, Hillary Clinton venceu Donald Trump por 3 milhões de votos em 2016."

O diretor de campanha de Sanders, Faiz Shakir, estava muito confiante de que a senadora concordaria com o ponto de vista de que a acusação de que Sanders tinha dito em 2018 que uma mulher não poderia ganhar a presidência era "indecente, ridícula e falsa". À CNN, Shakir foi mais longe: "Vocês têm quatro fontes anónimas a dizer coisas que não são verdadeiras. Existiam apenas duas pessoas na sala. Eram Elizabeth Warren e Bernie Sanders. Ambos acreditam que não foi isso que aconteceu." Mas foi depois surpreendido pelo comunicado de Warren.

Os democratas têm enfrentado acusações de que o partido tem falta de diversidade. Dos seis candidatos que estarão no palco do debate na noite desta terça-feira, todos são brancos e apenas dois - Warren e Amy Klobuchar, de Minnesota - são mulheres.

A votação democrata no Iowa realiza-se a 3 de fevereiro, na abertura nas primárias entre os Democratas. Elizabeth Warren tem surgido bem posicionada nas sondagens, embora abaixo de Bernie Sanders, Pete Buttigieg e Joe Biden, o político que lidera a maioria das sondagens.

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