Única medalhada olímpica iraniana desertou para os Países Baixos

A medalha de bronze no taekwondo nos Jogos Olímpicos Rio2016 disse, no Instagram, ser "uma entre os milhões de mulheres oprimidas no Irão, com as quais as autoridades lidaram sempre como quiseram".

A iraniana Kimia Alizadeh, de 21 anos, medalha de bronze no taekwondo nos Jogos Olímpicos Rio2016, admitiu este domingo (12 de janeiro), no Instagram, ter deixado o seu país devido à opressão e injustiça, e pediu o apoio dos seguidores para ter "uma vida segura".

A atleta, que segundo a agência semi-estatal ISNA poderá ter desertado há dias para os Países Baixos, diz ser "uma entre os milhões de mulheres oprimidas no Irão, com as quais as autoridades lidaram sempre como quiseram".

"Levaram-me sempre para onde queriam, vesti-me sempre como eles quiseram e repeti as frases que me ordenaram, manipularam as minhas medalhas", refere a atleta, sem indicar o país onde se encontra.

A atleta disse também que embora o Governo iraniano explore politicamente o seu sucesso desportivo, as autoridades humilham-na com comentários sobre o seu comportamento como mulher.

Kimia Alizadeh considera que o regime iraniano "humilha as atletas femininas e trata todos os desportistas como ferramentas de uma política desportiva".

A atleta nega ter fugido por razões económicas, ou por ter recebido qualquer proposta da Europa e admite que a decisão de deixar o seu país "foi mais difícil do que ganhar o ouro olímpico".

Alizadeh, que conta com 397 000 seguidores no Instagram, garante que será "sempre iraniana, onde quer que esteja" e que o seu único desejo é continuar a praticar taekwondo, de uma forma feliz e saudável.

A mensagem de Kimia Alizadeh, casada com o campeão de voleibol Hamed Madanchi, surge durante um período de grande tensão entre o Irão e os Estados Unidos. Em agosto de 2018, numa entrevista, o casal recusou responder sobre uma eventual fuga do país.

Políticos iranianos criticam "fuga de capital humano"

Na passada quinta-feira, a agência ISNA escrevia: "Choque pelo taekwondo iraniano. Kimia Alizadeh emigrou para os Países Baixos", mas ainda não existia qualquer reação da família da atleta ou federação.

Alizadeh não compareceu à concentração da seleção que prepara a participação em Tóquio2020 e, segundo a selecionadora, "partiu há alguns dias para os Países Baixos", onde continua a preparar-se.

A ISNA indica que Kimia Alizadeh terá a intenção de representar outro país nos Jogos Olímpicos, apesar dessa possibilidade supostamente não ser exequível para Tóquio2020.

A agência Tasnim, mais próxima dos ultraconservadores, manifestou-se "surpresa" pelo facto de a sua família e a federação "ainda não terem reagido para confirmar ou negar as notícias surpreendentes" da sua alegada deserção.

Vários políticos iranianos já criticaram, nas redes sociais, a situação e o deputado Abdolkarim Hosseinzadeh exige mesmo "responsabilidades a quem está a deixar fugir o capital humano" do país.

O taekwondo é um dos desportos favoritos no Irão.

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