Aperto de mão, jantar e "um líder fantástico" - a segunda cimeira Trump-Kim

O presidente americano e o líder norte-coreano estiveram reunidos em Hanói, no Vietname. Encontro decorreu no hotel Metropole. Para quinta-feira estão previstas as negociações formais

Um frente-a-frente de 20 minutos seguido de um jantar. Foi é o programa do primeiro dia da segunda cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un.

O presidente americano e o líder norte-coreano apertaram as mãos diante de uma série de bandeiras no hotel Metropole em Hanói. A capital vietnamita recebe o segundo encontro entre os dois, depois da cimeira de 12 de junho em Singapura.

Em declarações aos jornalistas antes do encontro, não pouparam elogios um ao outro. Kim saudou a "decisão corajosa" de Trump de convocar esta segunda cimeira. O líder norte-coreano lembrou que "muitos obstáculos" tiveram de ser ultrapassados para que este encontro acontecesse e mostrou-se "confiante que vai dar bons resultados".

Trump sublinhou a "grande relação" com Kim, mostrando-se esperançoso de que este segundo encontro seja "ainda mais bem-sucedido do que o primeiro". O presidente americano prometeu à Coreia do Norte "um futuro tremendo". "Acho que o vosso país tem um potencial económico tremendo". E prometeu a ajuda americana para que tal aconteça, saudando "um líder fantástico"

Terminado o frente-a-frente, Kim explicou aos media ter trocado "muitas histórias interessantes" com Trump.

Em cima da mesa volta a estar a desnuclearização da península coreana. Mas isso deve ficar para quinta-feira, dia em que deverão decorrer as negociações formais.

Hoje, os dois líderes terminam o dia com um jantar em que estará também presente o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o chefe de gabinete de Trump, Mick Mulvaney. Kim por seu lado estará acompanhado pelo presidente do Partido dos Trabalhadores norte-coreano, Kim Yong-chol e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Ri Yong-ho. Segundo a CNN o jantar durou 1 hora e 42 minutos.

De inimigos a amigos

A química entre Trump e Kim parece agora inegável, mas a relação entre os dois esteve longe de ser sempre amigável. O ano de 2017 ficou marcado por uma escalada de tensão entre EUA e Coreia do Norte, com esta última a testar uma série de mísseis balísticos, garantindo que os mais potentes têm capacidade para atingir território americano, inclusive cidades como Boston ou Nova Iorque, na costa leste.

Perante o sexto ensaio nuclear dos norte-coreanos, Trump subiu o tom, não hesitando mesmo em falar no botão nuclear. Enquanto Trump e Kim iam trocando insultos - "velho senil", disse o norte-coreano, "homem foguete", respondeu o americano -, o presidente da Coreia do Sul. Moon Jae-in ia tentando mediar a situação, impedindo que os receios de uma guerra se concretizassem.

Os primeiros resultados surgiram no discurso de ano novo de Kim, em janeiro de 2018, quando o líder norte-coreano estendeu a mão a Trump. A participação da Coreia do Norte nos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, há um ano, foi um dos momentos de uma aproximação que culminaria com a cimeira entre Trump e Kim em junho de 2018.

Nuclear e paz

Na cimeira de junho, Trump e Kim acordaram trabalhar para a desnuclearização da península coreana e para pôr um fim formal à guerra entre as duas Coreias. O conflito entre Norte e Sul, que durou de 1950 a 1953, terminou com a assinatura de um armistício mas sem um acordo de paz.

Baixando as expectativas para o encontro de Hanói, Trump disse-se disposto a aliviar as sanções internacionais contra a Coreia do Norte se Pyongyang fizesse "algo significativo" em relação ao seu programa nuclear.

Com esta segunda cimeira, volta a falar-se na hipótese de Kim e Trump virem a receber o Nobel da Paz.