Trump recebido pelo Papa Francisco "sem preconceitos"

Presidente americano é recebido hoje no Vaticano depois de 28 horas a tentar convencer israelitas e palestinianos a retomarem negociações de paz.

Podem ser muito diferentes, mas Donald Trump e o papa Francisco partilham uma característica: a imprevisibilidade. Talvez por isso ontem os responsáveis do Vaticano tentavam baixar as expectativas em torno do primeiro encontro entre os dois, hoje em Roma. O próprio Papa já reconheceu as diferenças em relação ao presidente dos EUA - seja sobre refugiados ou sobre o ambiente -, mas garantiu que não tem "preconceitos" e quer primeiro "ouvir" o que Trump tem para dizer. As dúvidas desfazem-se hoje às 08.30 quando Francisco receber o presidente americano no palácio apostólico, na quarta etapa da sua primeira visita ao estrangeiro, que já o levou à Arábia Saudita, Israel e territórios palestinianos.

Após 28 horas passadas a tentar convencer israelitas e palestinianas a retomarem os esforços de paz, Trump conseguiu que tanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas (com quem se reuniu ontem depois do encontro entre os dois na Casa Branca), dissessem estar prontos para a paz. Mas sem avanços quanto à forma para chegar a um acordo. Evitando abordar a criação de um Estado palestiniano ou a promessa, feita ainda durante a campanha, de mudar a embaixada americana de Telavive para Jerusalém, Trump admitiu que "alcançar a paz não será fácil. Todos sabemos isso. Ambos os lados vão enfrentar decisões difíceis. Mas com determinação, empenho e fé que a paz é possível, israelitas e palestinianos podem chegar a acordo".

Apesar do empenho na paz que ambos mostraram diante de Trump, tanto Netanyahu como Abbas estão pressionados em casa. O primeiro-ministro israelita tem de lidar com a oposição dos partidos nacionalistas e de extrema-direita dentro da sua coligação de governo, que se opõem à criação de um Estado palestiniano nos territórios ocupados onde centenas de milhares de judeus vivem em colonatos. Quanto a Abbas, tem de lidar com o grupo integrista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, enquanto a Fatah controla a Cisjordânia, não havendo assim uma posição palestiniana única.

Concentrando todas as críticas no Irão, Trump sublinhou o papel dos países árabes, sobretudo a Arábia Saudita, num eventual acordo de paz. Uma das hipóteses faladas na imprensa seria recuperar uma iniciativa saudita de 2002 que daria a Israel o reconhecimento do mundo árabe e a normalização das relações em troca da retirada total dos territórios ocupados por Israel em 1967, incluindo Jerusalém Oriental.

A viagem de Trump surge num momento em que o presidente lida com um escândalo interno após demitir o diretor do FBI, James Comey. Este estava a investigar as ligações entre a campanha do republicano e a Rússia, suspeita de ingerência nas presidenciais. Em Washington ontem foi dia de apresentação do projeto de orçamento para 2018. Intitulado Um Novo Começo para a Grandeza Americana, o documento prevê um aumento de 10% nos gastos com defesa e mais 2,6 mil milhões de dólares para a segurança fronteiriça - 1,6 mil milhões só para o muro na fronteira com o México. Para financiar estas despesas, Trump promete cortar na saúde, nas bolsas para estudantes, na ajuda aos mais pobres e no apoio aos deficientes.

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