Trump mudou ou não de opinião sobre embaixada em Jerusalém?

Questões legais obrigam o presidente a assinar documento que mantém suspensa a transferência da embaixada de Telavive.

A embaixada dos EUA não tinha mudado para Jerusalém?

A 6 de dezembro de 2017, o presidente norte-americano, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e ordenou a relocalização da embaixada dos EUA de Telavive para esta cidade. Jerusalém é a sede do governo israelita, assim como do Knesset (Parlamento israelita) e alberga a maioria dos ministérios. A transferência da embaixada tinha sido uma promessa de campanha de Trump.

Quando é que foi a mudança?

A cerimónia oficial a marcar a transferência da embaixada ocorreu no dia 14 de maio, no dia do 70.º aniversário da declaração de independência de Israel - que os EUA foram os primeiros a reconhecer. Trump não esteve presente, tendo sido representado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, e pela sua filha e conselheira, Ivanka Trump. Contudo, a transferência de todos os serviços da embaixada seria impossível em tão pouco tempo.

A cerimónia foi no até então consulado dos EUA em Jerusalém, localizado desde 2010 no bairro de Arnona. Está parcialmente construído na "terra de ninguém", que era a fronteira entre Israel e a Cisjordânia, sob administração da Jordânia até 1967.

O dia ficou marcado por protestos em Jerusalém. Há seis semanas que decorriam confrontos na fronteira da Faixa de Gaza com as forças de segurança israelitas, tendo havido mais de 50 mortos e mais de mil feridos entre os palestinianos.

Então o que aconteceu na prática?

A maioria dos serviços da embaixada continuam a funcionar em Telavive, no edifício da rua Hayarkon, que oficialmente é um ramo da embaixada dos EUA. Só alguns gabinetes passaram para Jerusalém, entre eles o do embaixador David Friedman, cuja residência oficial continua contudo a ser nos arredores de Telavive, em Herzliya.

Na semana passada, em declarações ao jornal The Times of Israel, Friedman disse que a sua equipa já começou a procurar uma residência oficial em Jerusalém, indicando contudo que para já divide o seu tempo entre as duas cidades. "Há a casa em Herzliya e tenho uma residência em Jerusalém", disse. "Com o tempo, terá que haver uma transição na qual a residência do chefe de missão passa para Jerusalém. Mas isso vai levar algum tempo e planeamento".

Mas então porque é que há notícias sobre a suspensão da transferência da embaixada?

Na terça-feira, Trump assinou um despacho que mantém suspensa por seis meses a lei de 1995, aprovada pelo Congresso de maioria republicana, que ordena ao governo a transferência da embaixada para Jerusalém. Algo que todos os seus predecessores, desde o democrata Bill Clinton, faziam a cada seis meses.

Uma medida "necessária, com vista à proteção dos interesses de segurança nacional dos EUA". Segundo indicou um responsável da embaixada norte-americana ao The Times of Israel, "além da mudança da embaixada, a Lei da Embaixada de Jerusalém requer a mudança da residência do chefe da missão. Até essa transferência ficar completa, a suspensão é necessária".

Isso não significa que Trump voltou atrás?

Não. Mas a mudança acabou por ser, para já, em parte, um gesto simbólico, visto que a transferência oficial poderá demorar anos, sendo necessário encontrar um edifício com capacidade para albergar todos os funcionários e efetuar as obras que sejam precisas.

Que impacto teve a transferência da embaixada dos EUA?

A Autoridade Palestiniana criticou fortemente a decisão e, desde então, não mantém quaisquer contactos com os EUA. Os países árabes também criticaram a transferência, mas não cortaram laços com Washington. Para os palestinianos, qualquer solução para o conflito com Israel passa pelo seu Estado ter capital em Jerusalém Oriental e esta decisão põe isso em causa.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse esta terça-feira que a transferência da embaixada dos EUA desencadeou mais violência. "Se isso leva à morte de pessoas, não é uma celebração", disse Macron. Trump tem defendido que a violência não estava ligada à abertura da embaixada e foi apenas uma desculpa para o Hamas fazer mais ataques.

Por outro lado, mais países já anunciaram a transferência das embaixadas para Jerusalém. Dois dias depois dos EUA, a Guatemala inaugurou a sua embaixada na cidade - na realidade, o país já tinha tido a embaixada em Jerusalém, tendo-a mudado para Telavive em 2006.

Uma semana depois foi a vez do Paraguai, numa cerimónia que contou com a presença do presidente Horacio Cartes. O novo presidente, Mario Abdo Benítez, que tomará posse apenas em agosto, disse que analisaria depois a situação. Também as Honduras já aprovaram a mudança.

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