Empate no segundo debate: Hillary domina assuntos, Trump não poupa rival

Depois de perder o primeiro debate, o candidato republicano sabia que tinha de vencer este. Partiu ao ataque, mas após meia hora em vantagem, Hillary conseguiu recuperar. No final, ninguém ficou KO. No 19 há mais, em Las Vegas

Depois de uma hora e meia do segundo debate presidencial, Hillary Clinton voltou a provar que domina os dossiers, dominando nas perguntas sobre a reforma da saúde ou a estratégia a seguir na guerra do Iraque. Mas Donald Trump, pressionado pelo escândalo causado pela revelação de um vídeo em que garante que quando se é famoso as mulheres "fazem o que quisermos", entre outros comentários sexistas, não poupou a rival. Atacou os escândalos sexuais do marido, o ex-presidente Bill Clinton. Convidou para a assistência algumas das suas alegadas vítimas. Acusou a ex-primeira dama de silenciar as mulheres que o marido atacava. Afirmou que a candidata democrata devia "estar na prisão" por ter usado o email privado quando era secretária de Estado.

No final e feitas as contas, os analistas mais independentes falavam num empate. É o caso de Anthony Zurcher, o correspondente da BBC na América, segundo o qual "com Hillary á frente nas sondagens, um empate serve-lhe perfeitamente. Mesmo se não é a vitória por KO que os seus apoiantes esperavam.

Pouco depois do final do debate, uma sondagem feita aos telespetadores no site da conservadora FOX News também revelava um empate. 50,3% respondiam que Trump ganhou. 49,7% diziam ter sido Hillary.

Para Blake Hounshell, do site Politico, "o que mais me marcou esta noite foi que Hillary não se defendeu verdadeiramente dos ataques de Trump - limitou-se a negar e contra-atacar". Uma estratégia que o jornalista se questiona se terá sido a melhor.

Claro que para a equipa de Trump, a vitória do candidato republicano foi inequívoca. O seu conselheiro Stephen Miller referiu "a maior vitória de sempre na história dos debates".

Os candidatos voltam a enfrentar-se no dia 19, em Las Vegas.

Apresentados pelos moderadores, Anderson Cooper da CNN e Martha Raddatz, os candidatos às presidenciais de 8 de novembro nos EUA, Hillary Clinton e Donald Trump, entraram em palco sem trocar um aperto de mão

Pressionado para explicar as suas declarações sobre as mulheres, Trump ataca Bill Clinton, garantindo que o ex-presidente fez "muito pior" do que ele. Referindo-se a uma das alegadas vítimas de um ataque sexual do ex-presidente, presente na assistência, o candidato republicano garante que Hillary devia "ter vergonha" por não ter feito nada para ajudar aquelas mulheres.

Trump promete que, se chegar à presidência, irá criar um procurador especial para investigar Hillary Clinton e o seu uso do email privado enquanto era secretária de Estado (de 2009 a 2013). E quando a rival responde, o republicano solta um "porque devia estar presa", arrancando gritos da assistência.

A ex-primeira dama contra-ataca, garantindo que Trump está a aproveitar todas as oportunidades para fazer diversão e "evitar falar sobre a sua campanha, e a sua implosão e como os republicanos estão a abandoná-la..."

Finalmente, depois de Trump insistir que o assunto dos emails não está terminado, surge a segunda pergunta do público, sobre a reforma da saúde de Obama, o chamado Obamacare. A vez era de Donald Trump mas o republicano dá a vez à rival, afirmando "Sou um cavalheiro". Hillary admite que há falhas no projeto do atual presidente, mas garante que os irá resolver.

Trump por seu lado considera o Obamacare "um desastre" e que é preciso substituí-lo.

A primeira pergunta de Anderson Cooper a Trump é sobre o vídeo em que Trump surge a dizer que quando se é famoso "elas fazem o que queremos". Trump garante que não foi bem isso que disse, que foram declarações feitas em privado, que já pediu desculpas. Recorda: "Era conversa de balneário". E desvia o assunto para o Estado Islâmico, garantindo que é mais importante lutar contra o grupo jihadista que controla parte da Síria e do Iraque do que estar a debater as suas declarações feitas há 11 anos.

"Tenho o maior respeito pelas mulheres", garante Trump, quando Cooper insiste. E à pergunta do moderador: "Nunca fez aquelas coisas?", o candidato republicano garantiu: "Não, nunca o fiz. Vou tornar este país seguro de novo".

Hillary sublinha de seguida que "este é Donald Trump". E questiona a sua capacidade para servir como presidente dos EUA. "Apenas palavras", respondeu Trump.

Pressionado pela moderadora Martha Raddatz sobre a sua estratégia para lutar contra o Estado Islâmico na Síria, Trump garante que os EUA estão a ser "estúpidos". O candidato republicano afirma que Aleppo "já caiu" e depois passa a falar de Mossul, com Raddatz a corrigi-lo algumas vezes.

Hillary, por seu lado, diz esperar que quando chegar à Casa Brancaos EUA já tenham expulsado o Estado Islâmico do Iraque. Quanto à sua estratégia, passaria por "ir atrás de Abu Bakr al- Baghdadi", o líder do Estado Islâmico. No final da sua resposta, Trump queixa-se que a moderadora não a interrompeu. Não é a primeira vez que Trump se queixa dos moderadores.

Quanto aos comentários que fez chamando "deploráveis" aos apoiantes de Trump, Hillary garantiu que o seu problema não é com os apoiantes do rival, mas com ele e com a sua campanha de ódio". Ao que o republicano respondeu que Hillary "tem o coração cheio de ódio".

Questionado sobre se aproveitou o facto de poder não pagar impostos federais durante 18 anos depois de ter registado perdas de quase mil milhões na declaração de impostos de 1995, Trump responde: "Claro que sim. E os amigos ricos dela também".

Quanto a mudar a Lei Fiscal, Trump recordou que Hillary já foi senadora e que o podia ter feito na altura.

"Cá vamos nós outra vez", respondeu Hillary, recordando que não fez mais porque tinha um presidente republicano na Casa Branca. "Há 30 anos que produzo resultados", lembrou.

A uma pergunta sobre impostos, Trump garante que paga "centenas de milhões em impostos". O candidato republicano acusa a adversária de querer aumentar os impostos quando ele os quer baixar.

Questionado por uma mulher na assistência sobre a discriminação a que os muçulmanos estão sujeitos, Trump lamentar a "islamofobia". E garante que os muçulmanos têm de denunciar os problemas que veem, denunciar os terroristas islâmicos radicais.

Hillary responde em segundo lugar, lembrando que foram ditas muitas coisas "divisivas" sobre os muçulmanos, "algumas delas por Donald". E garante que "o que Donald diz é depois usado para recrutar combatentes" pelos grupos radicais porque "eles querem criar uma guerra entre nós".

Pressionado para explicar se ainda acha que todos os muçulmanos devem ser banidos dos EUA, Trump garante que a medida que propõe é um "veto extremo" a todos aqueles que sejam suspeitos de ter ligações aos islamismo radical. E volta a atacar a decisão de Hillary Clinton de, em 2002, votar a favor da invasão do Iraque, culpando a então senadora pela guerra naquele país que esteve em parte na origem de grupos como o Estado Islâmico.

Uma das últimas perguntas refere-se ao lugar deixado livre no Supremo Tribunal após a morte do juiz Antonin Scalia e que ainda não foi substituído uma vez que o Congresso bloqueia a escolha do presidente Barack Obama. Trump prometeu escolher 20 juízes para depois selecionar o melhor. Já Hillary promete escolher alguém que "perceba a realidade do mundo em que vivemos".

O debate termina com os candidatos a dizerem uma coisa que apreciam no rival. Hillary escolheu elogiar os filhos de Trump. O republicano disse admirar o facto de Hillary "nunca desistir". E no final, apertaram as mãos, o que não aconteceu no início do frente a frente.

O primeiro conjunto de perguntas devia centrar-se no vídeo divulgado na sexta-feira pelo Washington Post em que Trump afirma que quando se é famoso "elas fazem o que nós quisermos". Mas a primeira pergunta, para Hillary, acaba por ser sobre o exemplo que os candidatos estão a dar aos jovens americanos.

Hillary mostra-se "otimista quanto ao que podemos fazer". Donald Trump, que respondeu em segundo, mostra-se calmo. Recorda que teve oportunidade de conhecer os americanos de todo o país nestes dois anos de campanha e sublinha que quer "Tornar a América Grande Outra Vez". .

Os candidatos tiveram de enfrentar não só as perguntas dos moderadores mas também as do público. O formato - 90 minutos, sem intervalos publicitários, como o primeiro frente-a-frente entre os candidatos presidenciais - contou com a mediação de Martha Raddatz e Anderson Cooper. O público, constituído por eleitores independentes, foi selecionado pela Gallup, a organização mais conhecida pelas suas sondagens.

Donald Trump chegou à Universidade Washington, em St. Louis, no Missouri, onde vai decorrer o segundo debate entre o candidato republicano e a rival democrata, Hillary Clinton. O milionário chegou acompanhado pela mulher, Melania. Hillary chegou pouco depois com o marido, o ex-presidente Bill Clinton, e a filha, Chelsea.

Pouco antes do início do frente a frente, Trump moderou uma conversa com algumas das mulheres que acusam o ex-presidente Bill Clinton, marido da candidata democrata às presidenciais de 8 de novembro nos EUA, de as ter atacado sexualmente. Todas elas vão estar na assistência do debate esta noite como convidadas de Trump.

Sentado no meio de Juanita Broaddrick, Paula Jones, Kathleen Willey e Kathy Shelton, Trump denuncia o comportamento sexual de Bill Clinton.

"Estas quatro mulheres corajosas pediram para estar aqui e foi uma honra para nós ajudá-las", afirma Trump num vídeo transmitido no Facebook. Juanita Broaddick surge a garantir "Bill Clinton violou-me e Hillary Clinton ameaçou-me. Não me parece que haja nada pior".

Recuperando um tweet de Hillary Clinton no qual a ex-primeira dama garante que todas as vítimas de ataque sexual merecem ser ouvidas e aapoiadas, Kellyanne Conway, a diretora de campanha de Trump, desafiou a candidata democrata a reconhecer as vítimas do marido a partir do palco esta noite.

A campanha de Hillary reagiu à presença das quatro mulheres com Trump afirmando tratar-se de uma "distração". E não faltaram comentadores a garantir que esta conferência de imprensa com as alegadas vítimas de Bill Clinton foi um ato de "desespero" por parte do milionário.

Depois da divulgação do vídeo de Trump no Washington Post, quase todas as principais figuras do Partido Republicano repudiaram as suas palavras, muitos retiraram-lhe o seu apoio, como o senador e ex-candidato presidencial John McCain, e alguns apelaram a que desistisse da corrida à Casa Branca.

Donald Trump apressou-se a vir pedir desculpas, mas não deixou de recordar que Bill Clinton fez bem pior.

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