Trump acusa Irão de "semear o caos" e rejeita globalismo

Trump congratulou-se com o progresso na Coreia do Norte, criticou a "agenda sangrenta" dos líderes iranianos e avisou que ajuda externa será só para os amigos. E fez rir a Assembleia Geral quando disse que fez mais em dois anos do que muitas outras administrações norte-americanas.

O presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou nesta terça-feira a ideologia do "globalismo" a favor do "patriotismo", num discurso na Assembleia Geral as Nações Unidas, no qual acusou o Irão de "semear o caos" no Médio Oriente e defendeu o isolamento do regime "corrompido". Avisou ainda que a ajuda externa dos EUA será só para "amigos".

"Temos de proteger a nossa soberania e a nossa querida independência acima de tudo", defendeu Trump para todas as nações do mundo, alegando que só sobre essa base o mundo encontrará "novas avenidas para a cooperação, nova paixão para a paz e um novo sentido e determinação".

"Vamos escolher um futuro de patriotismo, prosperidade e orgulho, de liberdade frente ao domínio e à derrota", afirmou.

Trump, que se atrasou e obrigou a alterar a ordem dos discursos, começou por dizer na Assembleia Geral da ONU que a sua administração conseguiu mais em menos de dois anos do que quase qualquer outra administração na história dos EUA. "É verdade", disse, arrancando alguns risos. "Não esperava essa reação, mas OK", acrescentou, com os risos a alastrarem pela sala. "Os EUA são mais fortes, seguros e um país mais rico do que quando assumi o cargo há menos de dois anos", defendeu.

Coreia do Norte e Irão

Num tom mais sóbrio, foi falando dos vários sucessos. Em relação à Coreia do Norte, que no ano passado tinha ameaçado com o "fogo e a fúria" na Assembleia Geral da ONU, Trump falou nas diferenças. Disse que o país parou os testes nucleares, libertou os reféns e os mísseis já não voam como antes sobre a Coreia do Sul. E agradeceu a Kim Jong-un "pela sua coragem e pelos passos que deu", lembrando, contudo, que as sanções vão continuar até à desnuclearização.

Sobre o Estado Islâmico, Trump fala no sucesso em parar estes "assassinos sanguinários" no Iraque e na Síria, lembrando que os EUA vão responder caso o regime de Bashar al-Assad use armas químicas.

Falando no Irão, o presidente dos EUA denunciou a "agenda sangrenta" dos líderes iranianos que "roubam os recursos do seu país para enriquecerem", dizendo que estes não respeitam os seus vizinhos ou os direitos soberanos das outras nações. E acusou o Irão de semear "o caos, a morte e a destruição" no Médio Oriente, considerando que são um país que apoia o terrorismo no exterior.

Voltando a criticar o "horrível acordo nuclear de 2015" com o Irão, lembra que "muitos países no Médio Oriente" apoiaram a sua decisão de sair do acordo e pede a outros que lhe sigam o exemplo para isolar o regime.

Comércio e China

"O comércio deve ser justo e recíproco", disse Trump, alegando que ninguém mais vai aproveitar-se dos EUA. "Não vamos mais permitir que os nossos trabalhadores sejam vitimizados, as nossas empresas sejam enganadas ou que a nossa riqueza seja saqueada", afirma, denunciando o "desequilíbrio comercial" com a China. "Os EUA vão defender sempre o seu interesse nacional", disse Trump.

Sobre a Venezuela, falando nos dois milhões de pessoas que fugiram do regime de Nicolás Maduro e dos seus parceiros cubanos, Trump anuncia novas sanções contra pessoas próximas do presidente venezuelano (entre as quais a primeira-dama, Cília Flores) e pede o regresso da democracia ao país. "Todas as nações do mundo deviam resistir ao socialismo e à miséria que ele traz a toda a gente", afirmou.

Ajuda externa só para "amigos"

"Os EUA são o país que dá mais, mas muito poucos nos dão nada", disse Trump, anunciando que o seu secretário de Estado, Mike Pompeo, vai reavaliar o processo de ajuda externa. "Só vamos dar ajuda externa a quem nos respeitar, aos nossos amigos", afirmou.

Nos temas da migração, Trump diz que os EUA não vão participar no pacto de migração das Nações Unidas, defendendo que cada país deve estabelecer a sua própria política migratória. Segundo o presidente, a única forma de impedir que as pessoas deixem os seus países é "torná-los países grandes novamente", numa referência ao seu slogan eleitoral "Make America great again".

Numa série de queixas contra o globalismo, que apresentou como uma ameaça à soberania dos EUA, Trump rejeitou, por exemplo, a legitimidade do Tribunal Internacional. "No que diz respeito à América, o tribunal não tem legitimidade e não tem autoridade", afirmou, falando num organismo que não é eleito nem responde a ninguém. "A América é governada pelos americanos", diz Trump.

Trump criticou ainda os membros da OPEP (países exportadores de petróleo), defendendo que "estão a roubar o resto do mundo" e que devem começar a trabalhar para baixar o preço do petróleo e não aumentá-lo.

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