Terceiro atentado em cinco meses em Ancara faz 34 mortos

Desde outubro do ano passado já houve mais de 160 vítimas mortais devido a ataques terroristas na capital. Governo responsabilizou de imediato independentistas curdos do PKK.

Menos de um mês após um atentado com uma viatura armadilhada que causou 30 mortos na capital turca, Ancara voltou ontem a ser alvo de um ataque terrorista, causando, pelo menos, 34 mortos e cerca de 125 feridos, segundo dados divulgados pelas autoridades.

Como no ataque de 17 de fevereiro, também ontem o meio utilizado foi um veículo armadilhado que explodiu no centro da cidade, numa área comercial não muito distante do local onde se situa o Parlamento, a sede do governo e vários ministérios. Neste atentado, o alvo foram autocarros que transportavam elementos das forças armadas turcas.

Fonte da secretaria de Estado das Comunidades indicou ao DN não ter conhecimento de qualquer cidadão português entre as vítimas, salvaguardando que as autoridades turcas estavam a proceder com grande cautela à divulgação do nome e nacionalidade das pessoas que perderam a vida no atentado.

A embaixada dos Estados Unidos em Ancara divulgara na passada sexta-feira um comunicado alertando para "um potencial ataque terrorista" em Ancara, referindo precisamente "edifícios governamentais".

Segundo os media turcos, os feridos estavam a ser conduzidos para dez hospitais da cidade e antecipavam que o número final de mortos poderia aumentar, pois 19 feridos apresentavam-se em situação crítica.

Ataque curdo

Uma coluna de fumo erguia-se do local da explosão, onde se situa uma série de paragens de autocarros, e era visível a 2,5 quilómetros de distância, referia a Reuters. A mesma agência, citando uma fonte dos serviços de segurança turcos, avançava que o atentado de ontem era da "responsabilidade do PKK", Partido dos Trabalhadores do Curdistão que advoga a independência desta região, ou de "uma organização ligada àquele".

O atentado de 17 de fevereiro cuja responsabilidade o governo turco atribuiu ao PKK e às milícias curdas sírias do YPG, acabou por ser reivindicado por um grupo dissidente daquela primeira organização.

Após um acordo de cessar-fogo negociado em 2013 entre o líder do PKK, Abdullah Ocalan (detido nas prisões turcas desde 1999) e o então primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, os independentistas curdos cessaram as ações violentas. Estas foram retomadas em 2015, com o agravar dos confrontos entre as milícias curdas e as forças do Estado Islâmico (EI), comas primeiras a acusarem a Turquia de conceder apoio aos islamitas. A partir do verão de 2015, as forças armadas de Ancara voltaram a atacar alvos curdos no país e na Síria enquanto o PKK suspendeu o cessar-fogo e voltou às operações militares, particularmente, no sudeste da Turquia.

Desde então tem-se assistido a uma espiral de violência, sucedendo-se os atentados em território turco, contra alvos curdos - geralmente atribuídos aos islamitas - e contra as forças de segurança - estes maioritariamente da responsabilidade de grupos curdos.

O mais mortífero dos atentados sucedeu a 10 de outubro de 2015 contra uma manifestação de grupos de esquerda e curdos, junto da gare central de Ancara, fazendo 103 vítimas. O governo turco atribuiu a responsabilidade ao EI. Também tendo por alvo curdos foi o atentado, a 20 de julho do ano de passado, na localidade de Suruç, onde perderam a vida 33 pessoas, a grande maioria estudantes universitários que iam partir para Kobani, localidade curda na Síria, que fora recentemente reconquistada ao EI.

Entretanto, um tribunal de Ancara ordenou o bloqueio dos acessos às redes sociais depois de nestas começarem a surgir imagens do estado em que ficou o local da explosão. Ontem, como já sucedera no atentado de fevereiro, as autoridades interditaram as televisões de revelarem imagens do sucedido.

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