Sul-coreanas revoltam-se contra câmaras ocultas

São as maiores manifestações de sempre de mulheres na Coreia do Sul. Rebelam-se contra o fenómeno molka, os vídeos e fotos tirados e partilhados sem autorização. Prova de que o assunto é sério, muitas tapam a cara com medo de represálias.

Em maio rebentou a revolta. Uma mulher foi presa por ter filmado e partilhado online um vídeo com um modelo nu numa aula de artes. "As mulheres viram como a polícia respondeu rapidamente a este caso raro em que a vítima foi um homem. Este tratamento injusto desencadeou a recente onda de raiva", disse à AFP Seo Seung-hui, ativista de um grupo contra a violência cibersexual.

No sábado decorreu a quarta manifestação em Seul contra a proliferação de câmaras ocultas e da partilha das imagens resultantes - prova da forma como os homens tratam as mulheres na sociedade sul-coreana.
Nem os 37 graus afastaram as manifestantes. Desta vez, segundo as organizadoras juntaram-se 70 mil mulheres contra o fenómeno chamado molka. Em julho foram 60 mil, em junho 22 mil e na primeira manifestação, em maio, 15 mil.

Por razões de segurança e também para prevenir filmagens ocultas, e posterior assédio online, não pode haver solidariedade masculina: a polícia impede a entrada de homens.

As queixas relacionadas com os vídeos ocultos subiram de 1100 em 2010 para mais de 6500 em 2017.

"Os WC neste país estão infestados de câmaras ocultas!", gritavam as manifestantes reunidas na Praça Gwanghwamun, o palco das grandes manifestações na capital. As mulheres pedem para o governo tomar medidas para "reprimir esses crimes" e encerrar as páginas e fóruns onde as imagens são divulgadas..

Perante a pressão das mulheres, a polícia começa a mostrar algum serviço. Em junho um indivíduo foi preso por filmar casas de banho e por vendê-los depois. Em julho um homem foi preso por ter instalado câmaras em motéis de Seul. Tinha em sua posse mais de 20 mil vídeos.

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