Só há uma mulher na lista dos mais procurados da Europol

Dois são terroristas sobreviventes dos ataques de novembro em Paris. Os restantes assassinaram pessoas e assaltaram bancos. Menos uma finlandesa que atuou de forma pacífica.

São 44 homens, a maioria com uma expressão dura no rosto, e uma loura finlandesa, acusada de "burla às comunidades europeias". São os rostos mais procurados pela Europol, que divulgou pela primeira vez uma lista desta natureza na sua página na Internet. Todos eles foram condenados ou considerados suspeitos de crimes violentos, como homicídio, violação, terrorismo, ou importante fraude financeira.

Entre eles, dois dos envolvidos nos ataques de novembro em Paris, Salah Abdeslam e Mohammed Abrini, e um importante chefe da máfia siciliana, Matteo Messina Denaro, que já teve direito a integrar uma listagem da revista Forbes, no caso a dos dez criminosos mais perigosos, em 2010. Em fuga desde 1993, é acusado dos crimes de tráfico de armas e estupefacientes, além de numerosos homicídios.

Ernesto Fazzalari é outro mafioso proeminente na lista da Europol. Aos 46 anos, é apresentado como um dos elementos mais temíveis da Ndrangheta (a máfia siciliana), procurado desde 1996 por tráfico de droga e armas, raptos e assassínios. É chefe de um clã da Sicília.

Além de terroristas e de mafiosos, a lista da Europol inclui assassinos em série, violadores e Marina Cecília Kettunen, a finlandesa "de 1,55 metros e olhos azuis", segundo a descrição da ficha. Kettunen, que irá completar 30 anos a 22 de fevereiro, conseguiu o duvidoso privilégio de ser a única mulher a romper a hegemonia masculina no mundo do alto crime. Com a particularidade de não ter recorrido a qualquer ato de violência para obter o que é descrito como "avultada verba financeira".

Quanto aos dois islamitas, Abdeslam e Abrini, são descritos como "extremamente perigosos", estão armados e o último registo visual verificou-se dois dias antes dos ataques de Paris, quando o Renault Clio em que seguiam foi referenciado numa estação de gasolina, conduzido pelo segundo. Sublinhe-se que Abdeslam e Abrini são os únicos procurados pela Europol por ações terroristas. Os restantes não têm motivações religiosas ou políticas, a não ser, eventualmente, um caso de crime na Suécia praticado por um elemento de extrema-direita.

Da lista constam mais 12 nomes, além dos 45 de que são mostradas imagens, e deverá ser atualizada em permanência; pode ser consultada em 17 línguas em Eumostwanted.eu, e apela à participação dos cidadãos europeus com informações que possam levar à captura dos criminosos, reproduzindo uma fórmula seguida nos Estados Unidos. Todavia, ao contrário do FBI, a Europol não hierarquiza a sua lista de mais procurados.

Assaltantes de bancos marcam também presença na lista da Europol. Com destaque para os croatas Radomir Cvijanovic e Bojan Dragicevic que, em outubro de 2005, conseguiram levar de um banco um total de 33 milhões de euros em dinheiro e outros valores.

Duas evasões em dois anos

Dragicevic esteve ainda envolvido em outros assaltos, tendo sido preso em 2012. Mas, em setembro do ano seguinte, conseguiu evadir-se da cadeia mais segura da Croácia. Recapturado menos de 24 horas depois, voltou a evadir-se em agosto de 2014 - e continua em fuga.

Natural do Norte da Europa é o mais jovem criminoso na lista da Europol, o sueco Simon Arnamo, de 24 anos, membro de um grupo de extrema-direita e responsável pelo esfaqueamento mortal, com ajuda de um cúmplice, de um homem numa cidade do seu país.

Procurado também por homicídio é o único britânico que consta da lista, Derek Ferguson, descrito como um indivíduo de "orelhas deformadas", com 51 anos e temperamento violento. Ferguson é procurado pela morte brutal de Thomas Cameron durante uma rixa num pub de Glasgow, em junho de 2007.

Outro assassino à solta é o albanês Hime Lufaj, de 31 anos, que quase matou à navalhada um polícia e, numa outra ocasião, agrediu brutalmente um transeunte que tentava impedir o criminoso de assaltar uma mulher.

De todas as formas de violência se faz a lista da Europol. Assim, o romeno Gregorian Bivolaru (também conhecido como Magnus Aurolsson), um ex-professor de yoga, é procurado por exploração sexual de menores e pornografia infantil. Sobre ele impende uma pena de prisão de seis anos, por ter violado uma menor, que fora sua aluna, e de lhe ter oferecido sucessivas verbas para impedir que ela o denunciasse.

Dois franceses são também procurados por crimes de índole sexual, David Gras e Dominique Delattre, acusados de "violação em grupo sob coação de arma".

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