"Se o polícia dá mais de dois tiros, faz sentido que seja condenado? Isso é absurdo"

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou esta quinta-feira que é um "absurdo" a condenação de polícias por "excessos" cometidos em serviço, acrescentando que existem prisões com "muitos inocentes", segundo a imprensa local.

"Ao conversar com eles [polícias e bombeiros militares numa prisão], mais do que o sentimento, [tinha] a certeza de que lá dentro tinha muitos inocentes. Tinha culpados? Tinha, mas também tinha muito inocente. Basicamente por causa de quê? Do excesso", declarou Bolsonaro, ao referir-se a visitas que realizou à prisão da Polícia Militar em Benfica, no Rio de Janeiro, citado pelo portal de notícias G1.

"Na madrugada, na troca de tiros com marginais, se o polícia dá mais de dois tiros, faz sentido que seja condenado por excesso? Isso é um absurdo", frisou ainda o chefe de Estado.

O mandatário falou ainda sobre o chamado auto de resistência, que é quando o alegado criminoso resiste à investida policial e é morto em seguida. Para Bolsonaro, autos de resistência são um "sinal" de que o agente está a "fazer a sua parte".

"Muitas vezes vemos um polícia militar, que é mais conhecido, a ser alçado para uma função, e vem a imprensa dizer que ele tem 20 autos de resistência. Tinha que ter era 50. É sinal que ele trabalha, que ele faz sua parte e que ele não morreu. Ou queriam que nós providenciássemos empregos para a viúva?", questionou, ironizando.

As declarações de Jair Bolsonaro foram prestadas durante uma cerimónia no Palácio do Planalto, em Brasília, para o lançamento de uma campanha publicitária a favor do pacote anticrime, proposto ao Congresso em fevereiro deste ano pelo ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

"Pacote Anticrime. A lei tem que estar acima da impunidade" é o slogan da campanha, que será publicitada até ao final deste mês, e será difundida nos meios de rádio, televisão, internet, cinema, além de outdoors.

Elaborada pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, "a estratégia pretende mostrar à sociedade brasileira a importância da revisão do arcabouço jurídico da segurança pública e da adequação das leis da área à realidade atual do país", diz o Ministério da Justiça no seu site.

"Precisamos de mandar uma mensagem clara para a sociedade, de que os tempos do Brasil sem lei e sem justiça chegaram ao final. Que o crime não compensa e que não seremos mais um paraíso para a prática de crimes ou para criminosos", afirmou Moro no seu discurso.

Norteado pelo combate à corrupção, ao crime organizado e aos crimes violentos, o Pacote Anticrime de Moro foi uma das ações prioritárias dos primeiros 100 dias de Governo de Bolsonaro.

"Sessenta mil homicídios por ano não é um número normal e aceitável. A impunidade da grande corrupção não é moralmente aceitável. Não podemos ter uma política de convivência pacífica com essas grandes organizações criminosas e a mensagem mais forte é aquela mensagem que pode vir do Governo e do parlamento, com a aprovação de leis rigorosas em relação a essa criminalidade", defendeu ainda o ministro.

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