Schäuble: Alemães têm que cortar nas férias para responder às alterações climáticas

Ex-ministro das Finanças, atualmente presidente do Parlamento, defendeu que alteração à lei não é suficiente. "Nós vencemos desafios muito maiores na história", alega.

Os alemães vão ter que mudar o estilo de vida, cortar nas férias e pagar o preço verdadeiro se quiserem responder às alterações climáticas, disse o presidente do Parlamento alemão, Wolfgang Schäuble.

Numa entrevista natalícia, o ex-ministro que esteve à frente da pasta das Finanças durante a crise da zona euro, defendendo austeridade e disciplina fiscal para os países mais pobres do sul da Europa, disse que as alterações climáticas vão exigir sacrifícios dos alemães.

"Vamos ter que mudar as nossas vidas", disse Schäuble ao Neue Osnabruecker Zeitung. "É certamente um prazer voar até às Maldivas ou visitar Veneza. Mas, no futuro, vamos ter que aproveitar esses prazeres de forma mais moderada", afirmou.

Popular na Alemanha por ter presidido aos anos de crescimento económico, Schäuble tornou-se no alvo dos opositores como o então ministro das Finanças grego, Yannis Varoufakis, que o acusou de impor sem necessidade a austeridade ao seu país afetado pela recessão.

As questões climáticas têm vindo a ganhar destaque na agenda do governo, liderado por Angela Merkel, em particular após o quente verão de 2017, mas também graças ao movimento criado pela adolescente sueca Greta Thunberg, das "Sextas-Feiras pelo Futuro".

O governo alemão aprovou um pacote de proteção climático no início deste ano com cortes dramáticos nas emissões de gases de efeito de estufa nas próximas décadas, além do investimento nos caminhos-de-ferro, em casas energeticamente eficientes e em carros elétricos.

Schäuble disse que, mesmo se o pacote legislativo visa minimizar o custo direto aos consumidores, os alemães vão pagar um preço pela mudança.

"Podemos gerir a mudança para uma vida consciente das alterações climáticas", disse. "Nós vencemos desafios muito maiores na história. Mas seria errado apresentar a legislação climática como um ato de generosidade: a proteção climática não é gratuita", acrescentou.

O aquecimento e o combustível vão ficar mais caros, indicou, apesar de os preços mais baixos da eletricidade e bilhetes de comboio mais baratos servirem como contraponto a tal aumento.

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