Renzi vence diretas no Partido Democrático

Ex-primeiro-ministro deverá ter mais de 70% dos votos

Matteo Renzi está de volta. O menino bonito da esquerda europeia reconquistou a liderança do Partido Democrático em Itália depois de ter vencido as diretas disputadas neste domingo com mais de 70% dos votos. Terão votado cerca de dois milhões de eleitores. O ex-primeiro-ministro pode agora começar a preparar o regresso à chefia do governo. O político nascido em Florença e ex-presidente da câmara da sua cidade natal levou a melhor sobre os adversários Andrea Orlando, o atual ministro da Justiça, e Michele Emiliano, governador da região de Puglia.

"Uma responsabilidade extraordinária. Obrigado do coração a esta comunidade de mulheres e homens que acreditam em Itália. Em frente juntos", foi assim a primeira reação de Matteo Renzi quando já não havia dúvidas de que tinha vencido de forma folgada. O modo de divulgar a mensagem foi original: escreveu à mão numa folha de papel, tirou uma fotografia e publicou na rede social Instagram.
Apesar de continuar a ser o preferido para liderar o Partido Democrático, o brilho de Mateo Renzi a nível nacional parece já não ser o mesmo. De acordo com uma sondagem da Ixe realizada na semana passada, a taxa de aprovação do ex-primeiro-ministro é neste momento metade dos 50% que exibia há três anos quando ascendeu à chefia do governo com apenas 39 anos, substituindo Enrico Letta.
A maior parte dos barómetros divulgados em abril colocam os populistas do Movimento 5 Estrelas à frente nas intenções de voto a nível nacional. Numa das sondagens o partido do humorista Beppe Grillo chegou mesmo a apresentar uma vantagem de oito pontos percentuais sobre o PD. Ainda não há data para as eleições. Caso a votação não seja antecipada, os italianos irão às urnas daqui a um ano, em maio de 2018.
Foi em fevereiro de 2014 que Matteo Renzi chegou a primeiro-ministro. Visto como um herdeiro da linhagem ideológica do britânico Tony Blair, apresentou-se como o homem que queria limpar a política italiana. Um dos pontos essenciais dessa faxina passava pela aprovação de várias mudanças constitucionais. Impulsionado pela vitória clara que o seu PD conseguiu nas europeias de 2014 - a mais alta votação de qualquer partido em Itália desde 1946, com 41% dos votos - e pelas sondagens, decidiu convocar um referendo sobre as alterações à Constituição que queria promover. Ganhando reforçaria o poder e a legitimidade, mas o tiro saiu-lhe pela culatra. Na votação de 4 de dezembro o "não" venceu com 60% dos votos. Renzi cumpriu a promessa que tinha feito e demitiu-se da chefia do governo e da liderança do Partido Democrático. "Se perder o referendo vou para casa e faço outra coisa qualquer com a minha vida. Tenho 41 anos e posso fazer tudo com um sorriso", dizia o então primeiro-ministro, em setembro do ano passado, numa entrevista à revista Vogue. Esse outra coisa qualquer foi, com um sorriso, regressar à liderança do Partido Democrático. Fica a faltar o regresso ao poder.
Renzi durante a campanha felicitou Emmanuel Macron pela passagem à segunda volta nas eleições em França e traçou para ambos um perfil semelhante. Diz o ex-primeiro-ministro que um e outro lutam contra populistas e querem mudar a Europa.

"Estas diretas fecham um percurso de muitas discussões. Agora é uma página nova que se abre. Não é uma desforra, não é uma segunda parte, mas sim uma nova partida que devemos vencer", afirmou ontem Matteo Renzi, falando para os apoiantes.

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