Quer sabotar a sua relação sem ficar com as culpas? Contrate um 'wakaresaseya'

Um caso simples pode custar-lhe três mil euros, mas se o cliente for um político ou uma celebridade, a agência chega a cobrar até 160 mil euros - 20 milhões de ienes.

Depois de alguns anos de (ainda maior) discrição na sequência de um crime que abalou o negócio, a indústria do wakaresaseya está de volta e em força ao Japão. Mas o que é um wakaresaseya? Bom, imagine que quer acabar com a sua relação. Mas não quer ficar com as culpas. Então contrata uma empresa de wakaresaseya para seduzirem o seu marido ou mulher.

Esta espécie de detetives privados - afinal das 270 agências de wakaresaseya registadas no Japão, a larga maioria está mesmo ligada a este tipo de negócio - podem trabalhar para um nicho, mas chegam a cobrar valores astronómicos. "Os serviços dos wakaresaseya custam muito dinheiro", explica à BBC Yusuke Mochizuki, agente da First Group.

O antigo músico profissional que decidiu transformar o seu interesse pela investigação numa carreira garante que nos casos mais simples podem cobrar 400 mil ienes (pouco mais de três mil euros), mas se o cliente for um político ou uma celebridade, o valor pode subir para os 20 milhões de ienes (160 mil euros).

O crime que mudou tudo

Em 2010, Takeshi Kuwabara foi condenado pelo homicídio da amante, Rie Isohata. Mas o que chamou a atenção do mundo neste crime nem foi a tragédia em si, mas sim o facto de Kuwabara ser um wakaresaseya, um profissional contratado pelo marido de Isohata para a seduzir e acabar com o casamento.

Ele próprio casado e pai de filho, Kuwabara conseguiu orquestrar um encontro com Isohata num supermercado. Nesse encontro "fortuito", contou-lhe ser engenheiro informático - uma afirmação que fez acompanhar de ums óculos e um visual de nerd.

Os dois iniciaram então um caso que começou como um negócio mas depressa de transformou em paixão.

Mas Kuwabara acabou por ser apanhado no seu próprio jogo. Fotografado com Isohata num hotel, viu o marido dela usar essas fotos como provas para pedir o divórcio. No Japão, sempre que um divórcio não é de comum acordo, este tipo de provas é necessário.

Quando soube que a relação fora descoberta, Isohata tentou acabar com Kuwabara. Este, desconsolado, acabou por a estrangular. No ano seguinte foi condenado a 15 anos de prisão.

Já abalada por casos de fraude, a indústria dos wakaresaseya foi fortemente afetada por este escândalo. E as autoridades obrigaram a uma reforma, obrigando as agências a terem licenças semelhantes às dos detetives privados.

As consequências foram maior desconfiança por parte dos clientes e mais restrições nos anúncios online.

Este crime inspirou a escritora britânica Stephanie Scott para escrever What's left of Me ir Yours. Depois de uma apurada investigação sobre o caso e o mundo dos wakaresaseya, a autora acabou mesmo por se tornar membro da Ordem dos Advogados Britânico Japonesa.

Para Scott, quem decide contratar um wakaresaseya está decidido a "evitar o confronto. É uma forma de resolver a situiação a curto prazo sem conflitos. E a sua mulher mais facilmente aceitará o divórcio se estiver apaixonada por outra pessoa e quiser seguir em frente"

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