Promessa de voluntariado acaba em abandono, ameaças e abusos sexuais

A embaixada de Espanha no Gana teve de intervir e com a ajuda da polícia, ajudou jovens voluntários a sair do país depois de terem sido ameaçados por homens armados

"Vai mudar a tua vida e melhorar a de muitos outros". A promessa é da organização Yes We Help, que está a ser acusada de enganar jovens voluntários espanhóis, alguns menores de idade, que tiveram de ser escoltados para abandonarem o Gana.

Depois de terem sido ameados por três homens armados, que diziam ser da polícia, a embaixada de Espanha no Gana viu-se obrigada a intervir. Com a ajuda da polícia local os jovens voluntários foram escoltados desde a residência onde se encontravam, em Winneba, até ao aeroporto para depois abandonarem o país.

A troco de cerca de 850 euros, os jovens embarcavam numas férias de verão diferentes, uma experiência de voluntariado no Gana ou no Siri Lanka, onde, supostamente, iriam participar em projetos ligados à educação, à saúde e ao desporto. Nada se confirmou

O momento em que os jovens eram ameaçados foi filmado por um dos voluntários e divulgado pelo jornal La Vanguardia. Nas imagens vê-se um homem, de arma na mão, a informar o grupo que alguns elementos se tinham portado mal. "Se não tiverem cuidado não vão poder sequer chegar ao aeroporto e regressar ao vosso país", ouve-se a ameaça no vídeo. Os jovens chegaram esta quinta-feira a Espanha.

Cayetana Rivera, de 18 anos, filha do conhecido toureiro Francisco Rivera, foi uma das jovens que regressou do Gana. "Tana [como é tratada pelos amigos e familiares] está bem graças a Deus, mas foi uma fraude. É uma pena que ocorram este tipo de situações com propósitos solidários", disse o pai da jovem, citado pelo site Lecturas.

A troco de cerca de 850 euros, os jovens embarcavam numas férias de verão diferentes, uma experiência de voluntariado no Gana ou no Sri Lanka, onde, supostamente, iriam participar em projetos ligados à educação, à saúde e ao desporto. Mas quando chegaram ao destino não havia nenhum programa humanitário.

Denúncia de abusos sexuais

Os jovens ficavam desamparados sem saberem o que fazer. "Nos primeiros dias só nos levavam à praia e convidavam-nos a ir beber cervejas", relata uma jovem ao site 20 minutos.

Ao El Mundo chegaram relatos de jovens que afirmam terem sido abusadas sexualmente em diversas ocasiões. Flor, nome fictício, de 17 anos, conta que durante uma festa numa piscina, a situação descontrolou-se.

"Não existiam projetos, nem oficinas. Nada de nada. Basicamente não havia nada para fazer"

"Fui à casa de banho sozinha e quando saí tinha cinco homens a agarrarem-me. Consegui sair dali e fui para outra zona da festa, mas muitos dos rapazes locais seguiram-me", recorda. Ela e as amigas, conta, pediram ao grupo que as deixassem, mas sem sucesso. "A uma amiga um arrastou-a até a uma esquina e começou a tocar-lhe. Ficou muito nervosa, mas conseguiu sair dali a correr enquanto chorava. Depois teve um ataque de ansiedade sem receber nenhuma atenção por parte da organização", acusa.

"Não existiam projetos, nem oficinas. Nada de nada. Basicamente não havia nada para fazer", lembra Gemma, de 20 anos, ao diário. A jovem conta ainda que as funcionárias da organização foram despedidas e que uma delas lhe disse: "Venho a África para ajudar e não para defraudar pessoas".

Os jovens afetados estão a preparar uma queixa coletiva por fraude contra a organização. "Estamos a receber todos os dias emails, dos que estavam no Gana como os que estão no Sri Lanka com a mesma organização", afirmou ao El Mundo a advogada Ingrid Sagué.

Os pais e os jovens afetados reclamam a Yago Zarroca Mompara, apontado como o responsável pela Yes We Help, o dinheiro que deram à organização.

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