Erdogan recebeu carta de Trump e "colocou-a no lixo"

Na carta oficial, o presidente dos Estados Unidos apelava ao presidente turco para que negociasse com os curdos situados no norte da Síria, utilizando uma linguagem... nada formal ou diplomática.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan mandou uma carta do seu homólogo americano Donald Trump para o lixo. Assim, sem mais nem menos. A notícia é adiantada esta quinta-feira pela BBC, explicando que a carta foi enviada a 9 de outubro do presidente dos Estados Unidos, depois da retirada das tropas americanas da Síria, na tentativa de apelar ao líder turco a não iniciar uma ofensiva militar contra as forças lideradas pelos curdos no norte do território sírio.

E nessa missiva oficial, Trump usava frases como: "Não seja durão. Não seja tolo!". No fundo trata-se de mais um exemplo pela forma desastrada como o presidente norte-americano tem conduzido as relações diplomáticas com os vários chefes de estado mundiais. Senão vejamos o conteúdo da carta, divulgada pela Casa Branca:

"Caro Sr. Presidente: Vamos trabalhar para um bom acordo! Você não quer ser responsável por matar milhares de pessoas e eu não quero ser responsável por destruir a economia turca - e fá-lo-ei. Já lhe dei uma pequena amostra em relação ao Pastor Brunson.

Trabalhei no duro para resolver alguns dos seus problemas. Não desiluda o mundo. Você pode fazer um grande acordo. O General Mazloum está à espera de negociar consigo e está disposto a fazer concessões que nunca fez no passado. Estou a anexar de forma confidencial uma cópia da carta dele que recebi.

A história irá olhar para si de forma positiva se você fizer as coisas da forma correta e humana. Ele irá encarará-lo para sempre como o diabo, se coisas boas não acontecerem. Não seja durão. Não seja tolo!" Vou ligar-lhe mais tarde."

Contactadas pela BBC, fontes da presidência turca revelaram o resultado desta carta: "O presidente Erdogan recebeu a carta, rejeitou-a em absoluto e colocou-a no lixo."

Esta episódio de Trump, fez com que Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos, se tenha deslocado a Ancara, capital da Turquia, para pressionar Edogan a avançar para um cessar-fogo na região, enquanto os americanos estão a ser alvo de muitas críticas por terem retirado as tropas e permitido, por isso, que os turcos iniciassem o ataque militar aos curdos situados no norte da Síria, que têm sido um aliado importante dos americanos na luta contra o Estado Islâmico na região.

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