Portuguesa condenada a dois anos e meio de prisão por tráfico de pessoas

A mulher de 26 anos seguia com um francês numa autocaravana com uma família iraquiana escondida quando foi apanhada na Inglaterra. Os refugiados estavam cobertos de pimenta para impedir cães-polícias de farejar. Sem resultado.

Patrícia Ferreira e o francês Skelly Monpierre viajaram da Holanda para Inglaterra numa autocaravana, utilizando um ferryboat que atracou no porto de Harwich. No interior viajava também uma família iraquiana, um casal e dois filhos menores, num compartimento dissimulado. Os quatro estavam cobertos com pimenta em pó, espalhada ainda pela autocaravana. Dizem as autoridades inglesas que o objetivo era impedir o trabalho de cães-polícias. Mas o estratagema não funcionou. Acabaram detidos e, após ter assumido a culpa, a portuguesa de 26 anos ainda esteve fugida durante dois anos. Foi novamente detida, na Alemanha, segundo a imprensa inglesa, e foi agora condenada a dois anos e meio de prisão em Inglaterra por tráfico de pessoas.

O crime ocorreu em fevereiro de 2016. Diz a polícia de imigração britânica que a colocação da pimenta por toda a viatura, sobretudo junto à família, tinha o único objetivo de impedir que os cães detetassem a presença dos passageiros clandestinos. Após serem detidos, Patrícia Ferreira veio depois a ficar em liberdade e, em tribunal, acabou por admitir a acusação de tráfico de pessoas. Mas acabou por fugir de Inglaterra e esteve mais de dois anos até que a polícia alemã a deteve, em 19 de junho passado, mediante um mandado de detenção europeu emitido pelas autoridades britânicas. Foi extraditada para o Reino Unido em 7 de agosto e conheceu a sentença na sexta-feira, tendo sido condenada a uma pena efetiva de dois anos e meio de prisão. O francês já tinha sido punido com três anos de cadeia.

A equipa de Investigação Criminal e Financeira da Imigração que tomou conta do caso concluiu que os dois suspeitos receberam dinheiro para transportar os quatro iraquianos. Foi através de ​​​​​mensagens no telemóvel de Patrícia Ferreira, em que terá ficado evidente a negociação para o transporte e as verbas envolvidas, que chegaram a essa conclusão.

Scott Cooper, responsável da investigação, disse que "o crime de contrabando de pessoas neste caso foi motivado pelo lucro e, como demonstrado pelas tentativas de evitar que cães farejadores detetassem a família, foi planeado e premeditado". Citado pelo jornal inglês Metro, Cooper deixou um alerta aos potenciais "passadores" de pessoas: "Não há desculpas para aqueles que estão preparados para abusar das nossas leis de imigração e este caso deve servir como um aviso de que vamos apanhá-los e garantir que enfrentam a justiça."

E não se coibiu de se dirigir diretamente à portuguesa. "Ferreira pode ter pensado que poderia evitar a sua condenação, mas como este caso demonstra, nós nunca paramos de procurar. Os meus oficiais são investigadores determinados e o nosso trabalho com parceiros internacionais significa que temos um alcance muito grande quando se trata de quem tenta escapar da justiça."

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